Categoria: Random


Vanilla dreams.

E ela era o sonho norte-americano em forma de adolescente-mulher.

Isabela chegava do trabalho, em um dia qualquer do outono. Notara da rua que a casa estava vazia, como sempre.

Entra e confere a caixa de correspondência. Tem algumas propagandas e umas cartas do banco, provavelmente oferecendo crédito.

O choque térmico do vento gelado da rua e a casa confortavelmente quente a faz tirar o casaco na porta da sala, jogando-o no sofá, ao lado da bolsa. Os sapatos de salto fino ficam aos pés da mesinha de centro.

Solta os cabelos presos em um coque por desfazer. Procura o gato e não o encontra. Deve ter saído, nota a janela entreaberta. Liga o rádio e vai descalça até a cozinha, fazer chá. Os pés finos e brancos tocam o chão de taco com cuidado, com zelo, sentindo a temperatura amena.

Tira para servir-se de chá a xícara de porcelana com desenhos azuis, de um conjunto ganho da avó. Enquanto o chá aquece, o gato laranja enrosca-se nos pés de Isabela. Põe mais ração e serve leite ao bichano.

Toma chá na cozinha e observa o felino beber leite, próximo a pia. A cortina rosa da cozinha estava fechada e, mesmo com o dia nublado, a claridade dava um tom roseado às paredes e aos armários brancos. A música daquela cantora francesa tocava baixinho no ambiente tão familiar.

Morar sozinha provavelmente foi a melhor e mais temida decisão que já tomara. Não casou-se, ainda não fazia faculdade, apenas saiu de casa. Casou-se consigo mesma, como lhe disse uma amiga que saiu da bolha familiar.

Termina a xícara de chá, despe-se e entra no banho. O vapor do chuveiro toma todo o banheiro. Tira o excesso de água dos cabelos e anda com seu roupão vermelho vinho pelo carpete branco da sala.

Observa no sofá a bolsa e o casaco, posto instantes atrás. Eduardo estava para chegar, veriam algum filme juntos. O dia frio estava propício. Vestiu então um vestido de algodão com mangas compridas, confortavelmente antigo. Enquanto penteava os cabelos úmidos, notou o gato adiantar-se em direção a porta da sala.

Ouviu a campainha tocar.

A felicidade morava ali, em algum lugar.

Pressupõe-se que…

 

If no report, isn’t wrong.

If no questions, all understood everything.

If no tears, isn’t suffering.

E diz o professor, após uma longa e complexa explicação matemática:

- Além de mim, mais alguém tem dúvidas?

Silêncio.

…the only end.

Acabou, pessoas cretinas. O ano mais confuso, mais difuso and more de todos. Que 2011 nos dê sossego nessas últimas 6h54min de existência.

Já vai tarde, rs.

…I’ll cry if I want to.

 

 

Um dos motivos pelo qual eu não confio em aniversários. E acredito em inferno astral.

 

 

E a faNema tá logo aí…

 

You would cry too if it’s happened to you…

 

(mais um daqueles post’s em que eu não escrevo porra nenhuma, mas estava muito querendo postar).

Coragem é…

Não tenho nenhuma coragem, mas procedo como se a tivesse, o que talvez venha dar ao mesmo.
(Gustave Flaubert)

 

 

 

Talvez chova.

Domingo primaveril, chove timidamente em Marília. Agora são quase duas da tarde.

Fez calor e depois fez frio. E ainda duvidam que a temperatura influi no temperamento humano. Acordei e fiz cooper com meu pai enquanto estava Sol. Agora que chove não quero nem mesmo me levantar para colocar um casaco e me proteger do vento que entra por baixo da porta.

Talvez eu não goste tanto assim da chuva.

Talvez eu não goste tanto assim do dia de hoje, que comemora (ou lamenta) um sábado igualmente chuvoso e igualmente confuso há 365 dias atrás.

Talvez eu não saiba do que goste e eu não seja decidida, apenas teimosa. E talvez eu tenha um orgulho bem “incabível”.

Talvez sim, talvez não. Talvez talvez.

Só sei que nadar sei, rs.

E o Enem taí, a Unesp taí, a Famema (aquela maledeta que fará prova no meio de novembro) taí. E eu tenho 3872389113 mols de exercícios e muito tempo disponível ~agora~ para fazê-los. Mas sei lá…

“More than this

Whatever it is

Baby, I hate days like this”

O início da primavera.

Choveu.

Não daqueles dilúvios avassaladores do verão, que derrubam o calor em um tapa. Daquelas chuvinhas como-quem-não-quer-chamar-a-atenção, mas que trazem consigo aquele frio de dias vazios. Fruto de região litorânea, acostumei-me com chuvas constantes, com o chover fininho que se estendia por semanas e meses. Muitos dos resfriados de infância foram adquiridos de ficar sentada no chão próxima a porta de vidro, molhando os dedos na chuva.

No planalto não chove. Faz frio, um vento que mergulha na alma e inquieta. Um frio que não aquece nem com todo o chá disponível.

Mas hoje choveu. Mais por dentro do que por fora, provavelmente. E não fez frio, embora ventasse muito e a janela de vidro da sala de aula assoviasse sinistramente a noite .

O planalto tem flores, é verdade. Os ipês, tão comuns (quase banais de tão comuns). São lindos, do florescer até o cobrir do chão em tapetes. Não me lembro de ipês no litoral.

Os animados gostam do verão, os melancólicos gostam de outono (além das grifes com suas malditas coleções em tons de ameixa e chocolate nas coleções “outono-inverno”) e todos os outros gostam do inverno. Eu gosto da primavera.

É tempo de florescer, de renascer dentre os sedimentos de outras estações. É tempo das últimas mudanças.

Sim, é tempo de mudanças. Não que elas não aconteçam o tempo todo, todos os dias, no inverter o trajeto de casa ao ponto de ônibus ou no arrumar do armário. Mas se houvesse um tempo exato para as maiores mudanças acontecerem, seria este.

O calor virá, os dias serão claros e as manhãs, perfumadas e ligeiramente barulhentas. É tempo de guardar os edredons e, se as alterações climáticas do aquecimento global permitirem, guardar os casacos no armário de novo.

Que chova infindamente e irrigue os corações.

Floresçamos.

“Primavera é tempo de ressurreição. A vida cumpre o ofício de florescer ao seu tempo. O que hoje está revestido de cores precisou passar pelo silêncio das sombras. A vida não é por acaso. Ela é fruto do processo que a encaminha sem pressa e sem atropelos a um destino que não finda, porque é ciclo que a faz continuar em insondáveis movimentos de vida e morte. O florido sobre a terra não é acontecimento sem precedências. Antes da flor, a morte da semente, o suspiro dissonante de quem se desprende do que é para ser revestido de outras grandezas. O que hoje vejo e reconheço belo é apenas uma parte do processo. O que eu não pude ver é o que sustenta a beleza.

A arte de morrer em silêncio é atributo que pertence às sementes. A dureza do chão não permite que os nossos olhos alcancem o acontecimento. Antes de ser flor, a primavera é chão escuro de sombras, vida se entregando ao dialético movimento de uma morte anunciada, cumprida em partes.

A primavera só pode ser o que é porque o outono a embalou em seus braços. Outono é o tempo em que as sementes deitam sobre a terra seus destinos de fecundidade. É o tempo em que à morte se entregam, esperançosas de ressurreição. Outono é a maternidade das floradas, dos cantos das cigarras e dos assobios dos ventos. Outono é a preparação das aquarelas, dos trabalhos silenciosos que não causam alardes, mas que, mais tarde, serão fundamentais para o sustento da beleza que há de vir.

São as estações do tempo. São as estações da vida.

Há em nossos dias uma infinidade de cenas que podemos reconhecer a partir da mística dos outonos e das primaveras. Também nós cumprimos em nossa carne humana os mesmos destinos. Destino de morrer em pequenas partes, mediante sacrifícios que nos fazem abraçar o silêncio das sombras…

Destino de florescer costurados em cores, alçados por alegrias que nos caem do céu, quando menos esperadas, anunciando que depois de outonos, a vida sempre nos reserva primaveras…

Floresçamos.”

Padre Fábio de Melo

Rolling in the deep

“There’s a fire starting in my heart

Reaching a fever pitch and it’s bringing me out the dark” ♫

E nós somos só Ego. Cada boa ação, cada trapaça, cada sacrifício, cada esforço alimenta esse pequeno monstro dentro de nós.

Nós alimentamos o Ego, o Ego se alimenta de nós.

Mas não é isso que queria falar… Não é só isso que essa música me lembra.

Me lembra que meu mundo tá aqui, desabando enquanto meus planos dão entre “quase certo” e “quase errado”. E que em qualquer outro momento eu estaria em constante desespero, constante pranto. Mas estou apenas em constante reflexão.

“We could had it all”♫

Sim, podia ter dado certo. Não deu. Motivo? Sim, deve haver. Mas valerá a pena achar “o que culpar”?

E aí, no meio das outras alternativas, você muda um pouco. Primeiro por fora, pra se adaptar rapidamente. Mas isso, seja lá o que isso for, começa a se adentrar. O que é? Não sei explicar, sei que muda você por fora, faz você tomar decisões que não tomaria em situação nenhuma, aparentemente por mero desespero. E zás, você mudou.

E eu nunca gostei de mudanças.

Se fosse pra escolher pelas mudanças provavelmente estaria em Guarujá, talvez cursando Química, ou Farmácia pelo ProUni.

Throw your soul through every open door

Count your blessings to find what you look for” ♫

E você vai de peito aberto, simplesmente porque quer tentar. Já deu tanta coisa errada, não é mesmo? E mais uma que der errado…

Desesperança, desesperança.  Vontade de não levantar da cama. Não até que tudo se resolva.

“We could have it all

We could have it all

It all, it all, it all”♫

Não, não funciona assim e você bem sabe. As coisas resolvem-se, mais hora, menos hora. Mas demora, demora eternidades séculos e ciclos lunares. Demora e era urgente. Demora e você tem pressa. Demora e demora e demora e…

Podia ter sido tão simples. Não foi. Não é. Não será, porque o simples não atrai. O simples não questiona, não indaga, não incendeia.

Por isso, determinismos à parte, as coisas são como são. E como disse a Nath: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.”

Bem ou mal, eu sou o que sou. Estou feliz (aliás, juro que vocês não imaginam o quanto), mas ainda sou eu. Ainda tenho dúvidas, ainda gosto de coisas sombrias, textos depressivos (do Caio Fernando Abreu) e músicas tristes (dark musics e clássica). Ainda gosto de passar horas sozinha (lendo, escrevendo, analisando o teto), ainda choro vendo filmes (Click, sempre choro quando começa a tocar “Linger”) e seriados (grey’s). Há, e se Deus quiser sempre haverá, uma febre em mim que não me dá paz. Nada está do jeito que deveria estar e essa é a doença dos que planejam. Minha doença.

Por que passaria?

 

And me too...

 

 

Be ok

Não seria incrível planejar com a certeza de que tudo sairá como o esperado? Ou só eu fico muito brava (eufemismo para manter o nível da narrativa) com aquela tia que fala “aah, mas Medicina é um sonho e sonhos mudam”?
Eu sou bem metódica com algumas coisas. Passo muitas horas do meu dia planejando o que posso fazer pra tudo dar certo, até tenho epifanias durante meus planos.

Mas não dá pra controlar tudo. Por mais que eu sempre tente!

Trabalhando, eu fiz algumas descobertas sobre o mundo cinza da mais-valia e do proletariado:

- As pessoas são máquinas de pedir desculpas.

Eu lembro que vi essa frase em algum lugar do twitter antes de começar a trabalhar. Fez mais sentido depois que comecei, sabe? E quando não há mais nada a fazer, a não ser pedir desculpas? Me desculpe, mas às vezes isso é o mesmo que nada.

- Trabalhar é a arte de tolerar trollagens sem gritar palavrões.

auto-explicativo

- Marx estava certo!

A mais-valia existe e eu estou sentindo ela na pele. Literalmente o.O

- 24 horas é muito pouco!

Mas isso eu já havia descoberto no cursinho

Eu queria saber que estou tão OK quanto eu digo pro mundo que estou. Ter certeza de que tudo ficará bem e que estou fazendo as coisas da melhor forma que a situação permite. E, se o ano passar tão rápido quanto o mês de janeiro, já já eu tô fazendo cursinho no Poliedro hahahaha.

O título do post foi inspirado nessa música da Ingrid Michaelson. É a música que mais tenho cantarolado pelos corredores do trabalho.

É, eu aposto que alguns de vocês estão bem curiosos pra saber onde estou trabalhando. Eu diria, mas aí alguém digitaria o nome no google, encontraria meu blog e provavelmente seria despedida antes de acabar a experiência. Só posso afirmar que não é uma firma da minha família, que não é um trabalho lindo de escritório e que… ai tá, eu posso falar que é em uma sorveteria. Pronto, não digo mais nada! Não, não insistam, seus feios! Posso dizer ainda que a gente não ganha tanto sorvete assim por ser funcionário :( kkkk gorda!

Se vou continuar lá, só o tempo dirá. E o tempo, esse danadinho, dirá muito mais! So I hope.

Abraço aos imortais

P.S.: Lindezas, porque vocês só comentam quando eu ameaço cometer blogcídio? Ai ai ai, deixem “A menina dos livros” mais feliz, comentem! Mas eu adoro vocês assim mesmo ♥

P.S. 2: Fui a biblioteca municipal dia desses. ~sintam a nostalgia~ Voltei a ler Sherlock Holmes! Não lia desde o 2º colegial, simplesmente porque tava sempre pelas tampas de obras obrigatórias. E peguei um de contos com o Caio Fernando Abreu, mas não sei se vai dar tempo de ler :(

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