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…I’ll cry if I want to.

 

 

Um dos motivos pelo qual eu não confio em aniversários. E acredito em inferno astral.

 

 

E a faNema tá logo aí…

 

You would cry too if it’s happened to you…

 

(mais um daqueles post’s em que eu não escrevo porra nenhuma, mas estava muito querendo postar).

Coragem é…

Não tenho nenhuma coragem, mas procedo como se a tivesse, o que talvez venha dar ao mesmo.
(Gustave Flaubert)

 

 

 

Negativas

Não há fome, não há cansaço, não há dor.

Os dias são curtos e as noites são longas. Estas, em claro, quase sempre.

A tensão é palpável. A competitividade, óbvia.

O comer vira abastecer e o dormir, recarregar.

Tudo bem insalubre: Seja por fora, seja por dentro.

Os risos se tornam doentios e os silêncios, perturbadores.

Uma menção, uma cobrança da mais sutil pode ser “A Borboleta do Caos”

Nos ponteiros dos relógios, apenas movimentos circulares. As horas apenas passam.

There’s no hope.

 

 

 

Um adendo:

Se você é positivista, meus parabéns. Existem outras 54 publicações nas quais você pode exprimir sua visão otimista e de bem com a vida, mas nessa não. Ora, também não quero que você seja pessimista como essa publicação ou que tenha mais pensamentos assim. Por que eu escrevi? Para tirar de mim. Vai passar.

 

 

Outro adendo:

Resta alguma dúvida de que estou falando da proximidade do ENEM  vestibular?

 

“More than this

Whatever it is

Baby, I hate days like this” [2]

Talvez chova.

Domingo primaveril, chove timidamente em Marília. Agora são quase duas da tarde.

Fez calor e depois fez frio. E ainda duvidam que a temperatura influi no temperamento humano. Acordei e fiz cooper com meu pai enquanto estava Sol. Agora que chove não quero nem mesmo me levantar para colocar um casaco e me proteger do vento que entra por baixo da porta.

Talvez eu não goste tanto assim da chuva.

Talvez eu não goste tanto assim do dia de hoje, que comemora (ou lamenta) um sábado igualmente chuvoso e igualmente confuso há 365 dias atrás.

Talvez eu não saiba do que goste e eu não seja decidida, apenas teimosa. E talvez eu tenha um orgulho bem “incabível”.

Talvez sim, talvez não. Talvez talvez.

Só sei que nadar sei, rs.

E o Enem taí, a Unesp taí, a Famema (aquela maledeta que fará prova no meio de novembro) taí. E eu tenho 3872389113 mols de exercícios e muito tempo disponível ~agora~ para fazê-los. Mas sei lá…

“More than this

Whatever it is

Baby, I hate days like this”

O início da primavera.

Choveu.

Não daqueles dilúvios avassaladores do verão, que derrubam o calor em um tapa. Daquelas chuvinhas como-quem-não-quer-chamar-a-atenção, mas que trazem consigo aquele frio de dias vazios. Fruto de região litorânea, acostumei-me com chuvas constantes, com o chover fininho que se estendia por semanas e meses. Muitos dos resfriados de infância foram adquiridos de ficar sentada no chão próxima a porta de vidro, molhando os dedos na chuva.

No planalto não chove. Faz frio, um vento que mergulha na alma e inquieta. Um frio que não aquece nem com todo o chá disponível.

Mas hoje choveu. Mais por dentro do que por fora, provavelmente. E não fez frio, embora ventasse muito e a janela de vidro da sala de aula assoviasse sinistramente a noite .

O planalto tem flores, é verdade. Os ipês, tão comuns (quase banais de tão comuns). São lindos, do florescer até o cobrir do chão em tapetes. Não me lembro de ipês no litoral.

Os animados gostam do verão, os melancólicos gostam de outono (além das grifes com suas malditas coleções em tons de ameixa e chocolate nas coleções “outono-inverno”) e todos os outros gostam do inverno. Eu gosto da primavera.

É tempo de florescer, de renascer dentre os sedimentos de outras estações. É tempo das últimas mudanças.

Sim, é tempo de mudanças. Não que elas não aconteçam o tempo todo, todos os dias, no inverter o trajeto de casa ao ponto de ônibus ou no arrumar do armário. Mas se houvesse um tempo exato para as maiores mudanças acontecerem, seria este.

O calor virá, os dias serão claros e as manhãs, perfumadas e ligeiramente barulhentas. É tempo de guardar os edredons e, se as alterações climáticas do aquecimento global permitirem, guardar os casacos no armário de novo.

Que chova infindamente e irrigue os corações.

Floresçamos.

“Primavera é tempo de ressurreição. A vida cumpre o ofício de florescer ao seu tempo. O que hoje está revestido de cores precisou passar pelo silêncio das sombras. A vida não é por acaso. Ela é fruto do processo que a encaminha sem pressa e sem atropelos a um destino que não finda, porque é ciclo que a faz continuar em insondáveis movimentos de vida e morte. O florido sobre a terra não é acontecimento sem precedências. Antes da flor, a morte da semente, o suspiro dissonante de quem se desprende do que é para ser revestido de outras grandezas. O que hoje vejo e reconheço belo é apenas uma parte do processo. O que eu não pude ver é o que sustenta a beleza.

A arte de morrer em silêncio é atributo que pertence às sementes. A dureza do chão não permite que os nossos olhos alcancem o acontecimento. Antes de ser flor, a primavera é chão escuro de sombras, vida se entregando ao dialético movimento de uma morte anunciada, cumprida em partes.

A primavera só pode ser o que é porque o outono a embalou em seus braços. Outono é o tempo em que as sementes deitam sobre a terra seus destinos de fecundidade. É o tempo em que à morte se entregam, esperançosas de ressurreição. Outono é a maternidade das floradas, dos cantos das cigarras e dos assobios dos ventos. Outono é a preparação das aquarelas, dos trabalhos silenciosos que não causam alardes, mas que, mais tarde, serão fundamentais para o sustento da beleza que há de vir.

São as estações do tempo. São as estações da vida.

Há em nossos dias uma infinidade de cenas que podemos reconhecer a partir da mística dos outonos e das primaveras. Também nós cumprimos em nossa carne humana os mesmos destinos. Destino de morrer em pequenas partes, mediante sacrifícios que nos fazem abraçar o silêncio das sombras…

Destino de florescer costurados em cores, alçados por alegrias que nos caem do céu, quando menos esperadas, anunciando que depois de outonos, a vida sempre nos reserva primaveras…

Floresçamos.”

Padre Fábio de Melo

Aí eu desempreguei, empreguei, desempreguei, empreguei, empreguei e agora tô em um lugar legal, apesar de ser periodo integral e eu só ter tempo de estudar no meu almoço (que diga-se de passagem, dura duas horas). E tô fazendo um semi-extensivo aí (y).

 

Houve, em meados de 2007, um periodo no qual eu tinha uma rotina bem frenética, quase igual a de agora, e eu tava no ensino médio. Uma professora de português havia passado umas pesquisas e panz aí eu falei a máxima do vestibulando-proletariado (antes de ser vestibulanda e mesmo proletariada):

“-MEOW, NÃO DÁ TEMPO!”

 

 

Resposta?

 

“-Tempo? Mas… O que você faz da meia noite às 6h?

 

O que eu faço da meia noite às 6h?

 

Depois da insonia, de ajustar o alarme do celular e arrumar a mochila, eu durmo e sonho com o dia da minha matrícula no curso de Medicina da Famema.

 

Porque medicina é a pior e a melhor idéia-fixa que pode surgir na vida de um estudante secundarista (em suma quando as condições não são exatamente favoráveis). A melhor porque parece que vem de dentro, como missão, como meta, mais do que a porcaria de um capricho. Medicina é uma vocação que você sabe que tem e não precisa que te digam isso: está lá, te dizendo o que fazer, provando sua capacidade nos obstáculos superados. A pior pela quantidade inimaginável de futuros que ela exclui, dos cursos muito bons em lugares sensacionais que você faria se não tivesse nascido pra ser médico.  Mas você acredita em futuros ou destino?

“E as pessoas que ficam muito ou pouco tempo em nossas vidas são como bancos e em cada banco podemos ter saldos, débitos, créditos, empréstimos e dívidas.

E com cada pessoa temos amizade, raiva, cortesias, favores e deveres.

No banco podemos ir a qualquer hora e saldar nossas dívidas.

Entretanto, nem sempre a vida nos dá a chance de quitar nossas dívidas com as pessoas e elas são tiradas de nós sem que possamos pagar o que devemos, agradecer grandes favores ou simplesmente dizer que elas tem saldo ilimitado em nossas  contas, podendo contar conosco para o que precisar.

Mantenha suas contas em dia.” (07/08/2009)

 Meu avô, quantas saudades.

(09/08/2009)

O texto entre aspas foi escrito por uma garota por volta dos seus 17 anos que antes sonhava em ser geriatra e que nesse dia viu seu avô no hospital pela última vez (e sabia que era a última vez) uma semana após um AVC.

Há dois anos atrás eu soube que amar medicina nem sempre é bom; nem sempre é vantajoso: Talvez a menina de 17 anos não quisesse ser a única em casa que sabia identificar um AVC. Não no padrinho, avô, segundo pai…

E que esse dia (tão corrido que o post foi escrito no final de semana para ser postado automaticamente) renove apenas as saudades na menina que hoje beira os 20 anos e não sonha mais com a geriatria. Os pesadelos, na verdade, são outros.

Do texto, o que eu quero que seja lido: Se você ama, demonstre. Se você odeia, talvez isso faça mal apenas pra você. De qualquer forma, o tempo é curto demais para as coisas ficarem subentendidas entre seres que conversam no mesmo idioma, e eu falo de qualquer conjunto de humanos (parentes, amigos de serviço, casais).

Não fique por dizer. Pense antes, mas não pense o suficiente para se calar.

O que eu fiquei por dizer ao meu avô?

- Obrigada. Por tudo.

I believe in God. Maybe not the Catholic God or even the Christian one because i have hard time seeing any God as elitist. I also have a hard time believing that anything that created rain forests and oceans and an infinite universe world, in the same process, create something as unnatural as humanity in its own image. I believe in God, but not as a he or a she or an it, but as something that defies my ability to conceptualize within the rather paltry frames of reference i have on hand.

A drink before the war, Dennis Lehane

 

Retirado do tumblr da Nath Panési

-> http://insustentaveis.tumblr.com/post/7108285939/i-believe-in-god-maybe-not-the-catholic-god-or

 

 

Para você que como eu tem preguiça do inglês:

Eu acredito em Deus. Talvez não o Deus católico ou mesmo a um cristão, porque eu tenho dificuldade em ver qualquer Deus como elitista. Eu também tenho dificuldade em acreditar que qualquer coisa que criou as florestas tropicais e os oceanos e um universo infinito, no mesmo processo, criar algo tão natural como a humanidade à sua própria imagem. Eu acredito em Deus, mas não como ele ou ela ou um, mas como algo que desafia minha capacidade de conceituar dentro dos quadros bastante mesquinhos de referência que eu tenho na mão.
Uma bebida antes da guerra, Dennis Lehane

 

Obs.: Sim, isso explica muita coisa. That’s all, folks.

Com que frequência?

Ele folheava um livro. Ela, com o fone de ouvido sem ouvir música alguma, mexia aleatoriamente no celular para que ele não dissesse que ela o observava, enquanto ele folheava o livro.

Se ela ouvisse música ao menos não estariam em silêncio.

- Me falaram que você não existe.

- Como assim?

- Falaram que você é, segundo Freud, invenção minha. Uma “projeção”, na verdade.

-  Hmm…

- …

* Fecha o celular e tira uma revista Galileu da bolsa. Folhea-a*

- E o que você acha?

- Eu acho que é mentira. Ou eu sou mesmo muito criativa.

Eu tinha um amigo que uma vez eu falei “nossa, eu venderia minha alma pra conseguir tal coisa” ele disse: “é, já pensei sobre isso, mas será que ainda temos uma alma para vender?”

Eu não venderia minha alma por dinheiro humano, não venderia pela eternidade (tenho medo dela) e não venderia para ser feliz. Não a venderia por uma vaga em Medicina também (andam pagando bem mais barato por elas, infelizmente).

Mas existe uma coisa no mundo pela qual eu venderia minha alma. De verdade.

Eu queria ser a prova de falhas. Essas falhas bobas, cometidas por azar ou distração.

Sim, nobres pessoas, eu venderia minha alma para quem quer que fosse por uma fonte inesgotável de perfeição.

(ou por uma noite de sono sem sonhos ou pesadelos)

- Desculpa vó, eu esqueci minhas chaves no cadeado e devem tê-las roubado com cadeado e tudo. Eu pago o chaveiro.

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