Hoje eu devia ter acordado umas 7:45, pra começar a estudar às 8h. Não foi o que meu sono permitiu, mas umas 9h alguém bateu à porta do meu quarto:

– Pode entrar.

(meu irmão) – Telefone pra você.

(eu e minha inegável voz de sono)– Alô? Oi Jéssica, tudo bom?

– Carol, tenho uma má notícia. Morreu aquele escritor que você gosta, o Saramago.

– Nossa, sério? Nossa… quando, você sabe?

– Ah… não tenho certeza, mas acho que foi hoje de manhã.

– Bom, vou ver isso na internet. Caramba, tanta gente pra morrer né? Enfim… obrigada, Jé.

***

Não sei como explicar, mas meu pai me ensinou a quando alguém te der uma informação, pensar no que levou essa pessoa a te dar tal informação. E eu levo isso aos livros também, o que leva uma pessoa a escrever numa ficção a história de um lugar onde as pessoas não morreriam mais? Ou escrever sobre uma cegueira que faria todos os homens, independente de cor, gênero e classe, se encontrarem na mesma situação caótica? Ou ainda escrever um evangelho do ponto de vista humano de Jesus? (esse eu não li, ainda estou me devendo esse livro).

Lembro que custei a me acostumar com a escrita dele. Diálogos que apareciam sem se anunciar, após uma vírgula e uma letra maiúscula. Me parecia insano, até entender que era mais que um estilo de escrita tratava-se de algo como um estilo de exposição do pensamento, ou algo mais complexo que eu e minha leve carga literária não saberia definir. Mas depois que peguei o ritmo a leitura se tornou algo contínuo, de uma sequencia diferente de todas as obras que eu já tinha lido.

Gostaria de deixar nesse post meus agradecimentos ao Bento, que primeiro me indicou a leitura de Saramago e me emprestou o “Intermitências da Morte” (assim como a já citada em outras ocasiões, Bruna Motta, que me emprestou o “Ensaio sobre a cegueira”). Sim amigos, me emprestem livros, eu sou legal e os devolvo, podem perguntar

Bom, esse post já cumpriu suas funções: Atualizar o blog decentemente mostrando que eu não abandonei o mesmo e dizer que de fato – quanto a morte de Saramago – morre o homem, fica a obra.

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