Que as olheiras nunca apaguem o brilho dos olhos, que a dor de cabeça permita um sorriso e que o bom humor se faça presente quando possível.

Que o “bom dia” seja sempre dito com o entusiásmo de quem dedica mais uma ficha em que ele realmente será bom.

Que o frio não congele os corações.

Que as mãos gélidas também afaguem, ao final do dia. Mesmo que afaguem apenas o cãozinho ansioso que espera na porta da sala.

Que a chuva lave mais do que as calçadas. Que lave as almas e as cure. E que a revolta das tempestades seja perdoada no arco-íris (as vezes os humores e os acontecimentos são assim, como as tempestades seguidas de arco-íris).

Que os sonhos se renovem ao dormir.

Que se fortaleçam ao acordar.

Que te movam, sempre. Eu desejo que os sonhos, assim como fazem hoje, te movam sempre para frente. Independentemente de que frente seja.

E que ao perceber que a vida é muito curta, não lamente. Festeje, orgulhe-se de suas conquistas ou mesmo de sua fé (e não me interessa fé em quê). Se a vida é curta, deve haver um motivo. Mas não pergunte demais.


“…Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol […] repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante…”


(Caio Fernando Abreu)

Para José Henrique

Anúncios