Ele folheava um livro. Ela, com o fone de ouvido sem ouvir música alguma, mexia aleatoriamente no celular para que ele não dissesse que ela o observava, enquanto ele folheava o livro.

Se ela ouvisse música ao menos não estariam em silêncio.

– Me falaram que você não existe.

– Como assim?

– Falaram que você é, segundo Freud, invenção minha. Uma “projeção”, na verdade.

–  Hmm…

– …

* Fecha o celular e tira uma revista Galileu da bolsa. Folhea-a*

– E o que você acha?

– Eu acho que é mentira. Ou eu sou mesmo muito criativa.

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