– Doce senhorita, sinto lhe informar, mas estás sendo injusta no julgamento da vida. A vida não é má, não é confusa, não equivoca-se. Há muito entendo que a senhorita, dentro de suas limitadas experiências de vida – não tão doces mas que não chegam nem perto do amargor do mundo lá fora de seu quarto cor-de-rosa – não acreditas mais em Destino. Acreditavas, então, na possibilidade infindável das pessoas utilizarem do livre arbítrio para jogarem suas vidas no mais profundo breu. Então, jovem moçoila, por que ainda insistes em culpar a vida?

– Mas as pessoas poderiam ser felizes, com finais felizes, em casais felizes. Os comerciais de margarina estão aí para isso, para mostrar quão feliz a vida pode ser, mas ela não o é!

– Não culpe o mapa por ele não te levar a lugar algum, menina! Até porque você também o desenhou. A vida não é má, as pessoas o são. E nem sempre é de propósito, se quer saber! As pessoas não são más com você de propósito, deixe de achar que tem um Sol no umbigo. As vezes elas só são distraídas.

– Mas por que as pessoas traem, mentem, enganam, usurpam, exploram? São todos doentes?

– Seriam doentes se não o fizessem, talvez. A vida não é má, mas ninguém aqui disse que ela era fácil.

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