Fazia um calor imensurável para o avançar da hora – são oito e pouco da noite, intervalo entre aulas na faculdade (que diga-se de passagem, parece um teste de sobrevivência para grandes cidades, com fila para tirar xérox, fila para comprar algo pra comer, fila para ir ao banheiro, fila para entrar na biblioteca, fila para sair da biblioteca, fila para … para … pára … e todas incompatíveis com o mesmo intervalo, escolha uma e aproveite o tempo desperdiçado).

Talvez haja algo de errado comigo, sou uma brasileira que odeia filas.

Que odeia calor e nunca dá jeitinho nas coisas.

Mas enfim.

Escolhida a fila da cantina, observo o detalhado cardápio. Após 10 minutos, ainda não sabia o que iria pedir.

“Qualquer coisa que venha enlatada, aquele chá gelado com limão da Nestlé tem ares aristocráticos, mas sempre tive vontade. Tem também aquele refrigerante de maracujá que tem em casa de vez em quando e eu adoro, tem também os sucos naturais feitos na hora, mas só daria tempo de entrar na última aula e…”

Observo uma moça da frente pedir uma coca normal, de garrafa. O ar era tão quente que, ao abrir a garrafa, o espaço vazio de dentro da garrafa se cobriu de vapor colado ao vidro, em uma cena épica em câmera lenta. Isso, vou pedir coca-cola.

Simples, básico, repleto de coisas não saudáveis e bem vindas na noite de extremo verão. Depois eu bebo água para matar a sede, prometo.

Talvez eu devesse ser menos indecisa, menos divagadora, ter menos sono e mais memória auditiva, que não me obrigasse a ler, e reler e treler qualquer coisa para ser então memorizada e lembrada para todo o sempre.

Conforme-se.

Contente-se. Adapte-se! [2]

~chove chuuuuva, chove sem paraaaaaaar~ 

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