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Éramos nós!

Acaba que precisei de um espaço para aqueles textos aleatórios, que não sei explicar exatamente o motivo, mas não cabem aqui. Fiz então um blog que divido orgulhosamente com a senhorita Heloísa

Mas esse blog ainda não morrerá. Entendo o estado quase vegetativo que se encontra, mas não morre.

Então, nos dias de chuva, textos nossos poderão ser encontrados aqui.

Agradeço aos leitores silênciosos, aos leitores comentadores, e pra quem, vira e mexe, abre os emails e vê que tem coisa nova e gosta do que vê! Seus lindo

Eu volto!

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De outros.

“Eu sou feito de sonhos interrompidos, detalhes despercebidos, amores mal resolvidos. Sou feito de choros sem ter razão, pessoas no coração, atos por impulsão. Sinto falta de lugares que não conheci, experiências que não vivi. Eu sou amor e carinho constante, distraída até o bastante, não paro por instante. Já tive noites mal dormidas, perdi pessoas muito queridas, cumpri coisas não-prometidas. Muitas vezes eu desisti sem mesmo tentar, pensei em fugir para não enfrentar, sorri para não chorar. Eu sinto pelas amizades que não cultivei, aqueles que eu julguei, coisas que eu falei. Tenho saudade de pessoas que fui conhecendo, lembranças que fui esquecendo, amigos que acabei perdendo, mas continuo vivendo e aprendendo…”

 

(Martha Medeiros)

 

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Luxos:

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– Dormir 8 horas por dia (nas férias, talvez);

– Direito a duvidas cretinas e existenciais sobre quem sou e como vim parar em um curso de Humanas, meu Deus, como? E agora o que eu faço com aquela tabela periódica espetaculosa pregada na parede do meu quarto? Vontade de ser que nem a Margareth Tatcher e cursar Química (ou equivalente, rs) antes de cursar Direito e ninguém dizer que ela passou 4 anos perdida em Oxford com suas fórmulas e compostos;

– Ouvir músicas novas aleatoriamente;

– Mandar plantar batatas as pessoas com suas perguntas  e opiniões cretinas;

– Cuidar da saúde/ Alimentação/ Fazer Exercícios Físicos;

– Digitalizar todas as matérias antes das P.O.’s;

– Escrever descompromissadamente o que vier na telha, sem retaliações xiitas;

– Férias do trabalho e da faculdade at the same time!

– Criar um gato, mas agora mal tô podendo criar eu mesma RSRSRS.

Ah…

Fazia um calor imensurável para o avançar da hora – são oito e pouco da noite, intervalo entre aulas na faculdade (que diga-se de passagem, parece um teste de sobrevivência para grandes cidades, com fila para tirar xérox, fila para comprar algo pra comer, fila para ir ao banheiro, fila para entrar na biblioteca, fila para sair da biblioteca, fila para … para … pára … e todas incompatíveis com o mesmo intervalo, escolha uma e aproveite o tempo desperdiçado).

Talvez haja algo de errado comigo, sou uma brasileira que odeia filas.

Que odeia calor e nunca dá jeitinho nas coisas.

Mas enfim.

Escolhida a fila da cantina, observo o detalhado cardápio. Após 10 minutos, ainda não sabia o que iria pedir.

“Qualquer coisa que venha enlatada, aquele chá gelado com limão da Nestlé tem ares aristocráticos, mas sempre tive vontade. Tem também aquele refrigerante de maracujá que tem em casa de vez em quando e eu adoro, tem também os sucos naturais feitos na hora, mas só daria tempo de entrar na última aula e…”

Observo uma moça da frente pedir uma coca normal, de garrafa. O ar era tão quente que, ao abrir a garrafa, o espaço vazio de dentro da garrafa se cobriu de vapor colado ao vidro, em uma cena épica em câmera lenta. Isso, vou pedir coca-cola.

Simples, básico, repleto de coisas não saudáveis e bem vindas na noite de extremo verão. Depois eu bebo água para matar a sede, prometo.

Talvez eu devesse ser menos indecisa, menos divagadora, ter menos sono e mais memória auditiva, que não me obrigasse a ler, e reler e treler qualquer coisa para ser então memorizada e lembrada para todo o sempre.

Conforme-se.

Contente-se. Adapte-se! [2]

~chove chuuuuva, chove sem paraaaaaaar~ 

“Quero essa pesquisa para segunda-feira, nem se dêem ao trabalho de me procurar depois disso.”

“Pra próxima aula.”

“Prova e entrega de trabalho pro dia 21 de março.”

“Em setembro começam as inscrições para a iniciação científica.”

“Tragam o Código Penal na próxima aula.”

“Façam as inscrições para os cursos complementares.”

 

É, Carolina, acabaram-se férias e cursinho.

Conforme-se, contente-se.

Adapte-se.

Fevereiro/2013

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E no fundo, trata-se apenas de encontrar seu lugar no mudo. Seja lá onde for que lhe aceitem, que lhe respeitem, que lhe convivam. Onde achem normal todas as coisas esquisitas que você tem por mania.

Trata-se ainda de ser quem você gostaria de ser quando era criança ou quando viu aquela personagem de livro, filme, novela ou seriado.

Pré-formulações de ser feliz e bem sucedido.

Ou apenas como não sentir saudade de coisas e pessoas que não dariam certo de jeito algum.

 

 

Também temos saudade do que não existiu, e dói bastante….

Carlos Drummond de Andrade

Dias quentes

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E então a temperatura, elevadíssima por sinal, influência no humor, nas decisões, nos acordos tributários, nos níveis de paciência e no tamanho do pavio.

(na física, a pressão influenciava na temperatura e vice e versa. Na vida – porque a física parece infinitamente distante da vida – talvez apenas o contrário ocorra).

Os dias quentes são terrivelmente desagradáveis para os corações frios por trás dos ar-condicionados. No planalto, (ao contrário do verão coberto de brisas marítimas) o calor maltrata os vivos e respirantes com uma umidade relativa do ar insignificante. Ou eu talvez tenha ~desadaptado-me~ às altas temperaturas.

Na verdade, o verão não foi feito para “adiantar a vida”. O verão foi feito para férias, para desidratar os estresses do outono, renovar fluídos.

E eu aqui, marcando minhas férias pra julho. Oh heavens.

Guarujá, não desapareça antes da primavera.

Back to…

E dá medo de escrever, porque em cada linha, cada vírgula mal colocada expõe o que mudou, o que não mudou e o que é inavaliável .

“Eu não quero notícias suas e não quero dar notícias minhas.”

Mas algumas coisas mudaram. A vaga em Direito, que ontem eu recusei, hoje é meu amanhã.

Direito. Humanas, quem diria? Influências, dificuldades, esperanças…

Queria muito ter ânimo para escrever mais e mais e mais, já que quase matei meu blog de abstinência. 

 

 

(aos que tentam uma vaga no curso de Medicina, desejo força, sorte e muito estudo. Digo ainda que não “desisti do meu sonho” e que apenas mudei de sonho. Cheguei a um ponto em que perdeu o brilho e eu tive que lustrar outras idéias)

 

Aos poucos, tudo volta ao normal.

– Vai pra casa, você não tá bem. Descansa, horas extras foram feitas para isso, para você descansar quando necessário.

… silêncio

– Eu quero ficar sozinha.

– Faz de conta que eu não tô aqui, rs.

… uma risada pouco franca.

Porque da ansiedade vem o desgaste desnecessário, com preocupações desnecessárias e previsões infundadas.

Ansiedade é querer prever o futuro para prevenir-se e planejar-se.

Ansiedade é não aceitar ser pega de surpresa. Seja essa surpresa boa, ruim ou irrelevante.

É gostar das coisas previsíveis e imagináveis. Apegar-se a rotina.

Ansiedade é achar que o prelúdio resume toda uma sinfonia.Uma prepotência sem tamanho, se você quer mesmo saber, Carolina.

 

 

 

“Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja”

Mario Quintana

Vanilla dreams.

E ela era o sonho norte-americano em forma de adolescente-mulher.

Isabela chegava do trabalho, em um dia qualquer do outono. Notara da rua que a casa estava vazia, como sempre.

Entra e confere a caixa de correspondência. Tem algumas propagandas e umas cartas do banco, provavelmente oferecendo crédito.

O choque térmico do vento gelado da rua e a casa confortavelmente quente a faz tirar o casaco na porta da sala, jogando-o no sofá, ao lado da bolsa. Os sapatos de salto fino ficam aos pés da mesinha de centro.

Solta os cabelos presos em um coque por desfazer. Procura o gato e não o encontra. Deve ter saído, nota a janela entreaberta. Liga o rádio e vai descalça até a cozinha, fazer chá. Os pés finos e brancos tocam o chão de taco com cuidado, com zelo, sentindo a temperatura amena.

Tira para servir-se de chá a xícara de porcelana com desenhos azuis, de um conjunto ganho da avó. Enquanto o chá aquece, o gato laranja enrosca-se nos pés de Isabela. Põe mais ração e serve leite ao bichano.

Toma chá na cozinha e observa o felino beber leite, próximo a pia. A cortina rosa da cozinha estava fechada e, mesmo com o dia nublado, a claridade dava um tom roseado às paredes e aos armários brancos. A música daquela cantora francesa tocava baixinho no ambiente tão familiar.

Morar sozinha provavelmente foi a melhor e mais temida decisão que já tomara. Não casou-se, ainda não fazia faculdade, apenas saiu de casa. Casou-se consigo mesma, como lhe disse uma amiga que saiu da bolha familiar.

Termina a xícara de chá, despe-se e entra no banho. O vapor do chuveiro toma todo o banheiro. Tira o excesso de água dos cabelos e anda com seu roupão vermelho vinho pelo carpete branco da sala.

Observa no sofá a bolsa e o casaco, posto instantes atrás. Eduardo estava para chegar, veriam algum filme juntos. O dia frio estava propício. Vestiu então um vestido de algodão com mangas compridas, confortavelmente antigo. Enquanto penteava os cabelos úmidos, notou o gato adiantar-se em direção a porta da sala.

Ouviu a campainha tocar.

A felicidade morava ali, em algum lugar.