Category: Reflexões


– Doce senhorita, sinto lhe informar, mas estás sendo injusta no julgamento da vida. A vida não é má, não é confusa, não equivoca-se. Há muito entendo que a senhorita, dentro de suas limitadas experiências de vida – não tão doces mas que não chegam nem perto do amargor do mundo lá fora de seu quarto cor-de-rosa – não acreditas mais em Destino. Acreditavas, então, na possibilidade infindável das pessoas utilizarem do livre arbítrio para jogarem suas vidas no mais profundo breu. Então, jovem moçoila, por que ainda insistes em culpar a vida?

– Mas as pessoas poderiam ser felizes, com finais felizes, em casais felizes. Os comerciais de margarina estão aí para isso, para mostrar quão feliz a vida pode ser, mas ela não o é!

– Não culpe o mapa por ele não te levar a lugar algum, menina! Até porque você também o desenhou. A vida não é má, as pessoas o são. E nem sempre é de propósito, se quer saber! As pessoas não são más com você de propósito, deixe de achar que tem um Sol no umbigo. As vezes elas só são distraídas.

– Mas por que as pessoas traem, mentem, enganam, usurpam, exploram? São todos doentes?

– Seriam doentes se não o fizessem, talvez. A vida não é má, mas ninguém aqui disse que ela era fácil.

Que tudo mais…

…vá pro inferno, eu só queria férias de tudo e todos, e eu só não iria pra uma ilha deserta porque odeio o calor e não saberia como cozinhar frutos do mar e enjoaria de peixe assado.

Que se danem os sonhos e os pesadelos, que se danem as dívidas, que se danem os cartões de crédito que eu não pedi para ninguém, que se danem os exercícios e as redações atrasadas.

Ignorarei a ética, a astrofísica e o aquecimento global.

Não quero lembrar das saudades, dos risos, dos choros. Eu não quero lembrar de nada.

Eu não quero ouvir.

Eu não quero falar.

(Mas entenda que eu não sei ficar sozinha, que eu realmente precisava de um ou vários abraços e ficar quietinha, sem imaginar o que aconteceria comigo se eu conseguisse tudo o que eu desejo naqueles minutos de ódio e decepção. Eu estou decepcionada com a incapacidade de produzir dias melhores, risadas naturais e a falta de tardes chuvosas).

“O inferno são os outros.”

Sartre.

Coragem é…

Não tenho nenhuma coragem, mas procedo como se a tivesse, o que talvez venha dar ao mesmo.
(Gustave Flaubert)

 

 

 

Negativas

Não há fome, não há cansaço, não há dor.

Os dias são curtos e as noites são longas. Estas, em claro, quase sempre.

A tensão é palpável. A competitividade, óbvia.

O comer vira abastecer e o dormir, recarregar.

Tudo bem insalubre: Seja por fora, seja por dentro.

Os risos se tornam doentios e os silêncios, perturbadores.

Uma menção, uma cobrança da mais sutil pode ser “A Borboleta do Caos”

Nos ponteiros dos relógios, apenas movimentos circulares. As horas apenas passam.

There’s no hope.

 

 

 

Um adendo:

Se você é positivista, meus parabéns. Existem outras 54 publicações nas quais você pode exprimir sua visão otimista e de bem com a vida, mas nessa não. Ora, também não quero que você seja pessimista como essa publicação ou que tenha mais pensamentos assim. Por que eu escrevi? Para tirar de mim. Vai passar.

 

 

Outro adendo:

Resta alguma dúvida de que estou falando da proximidade do ENEM  vestibular?

 

“More than this

Whatever it is

Baby, I hate days like this” [2]

Aí eu desempreguei, empreguei, desempreguei, empreguei, empreguei e agora tô em um lugar legal, apesar de ser periodo integral e eu só ter tempo de estudar no meu almoço (que diga-se de passagem, dura duas horas). E tô fazendo um semi-extensivo aí (y).

 

Houve, em meados de 2007, um periodo no qual eu tinha uma rotina bem frenética, quase igual a de agora, e eu tava no ensino médio. Uma professora de português havia passado umas pesquisas e panz aí eu falei a máxima do vestibulando-proletariado (antes de ser vestibulanda e mesmo proletariada):

“-MEOW, NÃO DÁ TEMPO!”

 

 

Resposta?

 

“-Tempo? Mas… O que você faz da meia noite às 6h?

 

O que eu faço da meia noite às 6h?

 

Depois da insonia, de ajustar o alarme do celular e arrumar a mochila, eu durmo e sonho com o dia da minha matrícula no curso de Medicina da Famema.

 

Porque medicina é a pior e a melhor idéia-fixa que pode surgir na vida de um estudante secundarista (em suma quando as condições não são exatamente favoráveis). A melhor porque parece que vem de dentro, como missão, como meta, mais do que a porcaria de um capricho. Medicina é uma vocação que você sabe que tem e não precisa que te digam isso: está lá, te dizendo o que fazer, provando sua capacidade nos obstáculos superados. A pior pela quantidade inimaginável de futuros que ela exclui, dos cursos muito bons em lugares sensacionais que você faria se não tivesse nascido pra ser médico.  Mas você acredita em futuros ou destino?

I believe in God. Maybe not the Catholic God or even the Christian one because i have hard time seeing any God as elitist. I also have a hard time believing that anything that created rain forests and oceans and an infinite universe world, in the same process, create something as unnatural as humanity in its own image. I believe in God, but not as a he or a she or an it, but as something that defies my ability to conceptualize within the rather paltry frames of reference i have on hand.

A drink before the war, Dennis Lehane

 

Retirado do tumblr da Nath Panési

-> http://insustentaveis.tumblr.com/post/7108285939/i-believe-in-god-maybe-not-the-catholic-god-or

 

 

Para você que como eu tem preguiça do inglês:

Eu acredito em Deus. Talvez não o Deus católico ou mesmo a um cristão, porque eu tenho dificuldade em ver qualquer Deus como elitista. Eu também tenho dificuldade em acreditar que qualquer coisa que criou as florestas tropicais e os oceanos e um universo infinito, no mesmo processo, criar algo tão natural como a humanidade à sua própria imagem. Eu acredito em Deus, mas não como ele ou ela ou um, mas como algo que desafia minha capacidade de conceituar dentro dos quadros bastante mesquinhos de referência que eu tenho na mão.
Uma bebida antes da guerra, Dennis Lehane

 

Obs.: Sim, isso explica muita coisa. That’s all, folks.

Eu tinha um amigo que uma vez eu falei “nossa, eu venderia minha alma pra conseguir tal coisa” ele disse: “é, já pensei sobre isso, mas será que ainda temos uma alma para vender?”

Eu não venderia minha alma por dinheiro humano, não venderia pela eternidade (tenho medo dela) e não venderia para ser feliz. Não a venderia por uma vaga em Medicina também (andam pagando bem mais barato por elas, infelizmente).

Mas existe uma coisa no mundo pela qual eu venderia minha alma. De verdade.

Eu queria ser a prova de falhas. Essas falhas bobas, cometidas por azar ou distração.

Sim, nobres pessoas, eu venderia minha alma para quem quer que fosse por uma fonte inesgotável de perfeição.

(ou por uma noite de sono sem sonhos ou pesadelos)

– Desculpa vó, eu esqueci minhas chaves no cadeado e devem tê-las roubado com cadeado e tudo. Eu pago o chaveiro.

Que seja doce

Que as olheiras nunca apaguem o brilho dos olhos, que a dor de cabeça permita um sorriso e que o bom humor se faça presente quando possível.

Que o “bom dia” seja sempre dito com o entusiásmo de quem dedica mais uma ficha em que ele realmente será bom.

Que o frio não congele os corações.

Que as mãos gélidas também afaguem, ao final do dia. Mesmo que afaguem apenas o cãozinho ansioso que espera na porta da sala.

Que a chuva lave mais do que as calçadas. Que lave as almas e as cure. E que a revolta das tempestades seja perdoada no arco-íris (as vezes os humores e os acontecimentos são assim, como as tempestades seguidas de arco-íris).

Que os sonhos se renovem ao dormir.

Que se fortaleçam ao acordar.

Que te movam, sempre. Eu desejo que os sonhos, assim como fazem hoje, te movam sempre para frente. Independentemente de que frente seja.

E que ao perceber que a vida é muito curta, não lamente. Festeje, orgulhe-se de suas conquistas ou mesmo de sua fé (e não me interessa fé em quê). Se a vida é curta, deve haver um motivo. Mas não pergunte demais.


“…Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol […] repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante…”


(Caio Fernando Abreu)

Para José Henrique

Empíricas

“Sofrer não resolve.”

“Se descabelar não adianta, perder o sono só ajuda se for fazendo algo produtivo, ou resolvendo os problemas de forma ordenada.”

 “Ignorar os fatos não os alteram.”

“Ser feliz não dói.”

“Diálogos facilitam o convívio, tem coisas que só se resolvem conversando e problemas que se alongam por não serem discutidos.”

“As coisas não se resolvem como nós planejamos.”

“Temer algo não evita que o mesmo aconteça.”

“Murphy estava certo.”

“Freud estava certo.”

“Lamarck estava certo.” chupa, Darwin

“Se não era importante antes, provavelmente não importará agora.”

“Se é importante agora, alguém não estava sendo sincero quando dizia que ‘não importava’.”

“Gostar, quando a recíproca é verdadeira, é uma das melhores coisas do mundo.”

Pensei em escrever sobre o dia em que eu estava voltando pra casa tão cansada que fui enganada assustadoramente pela minha visão periférica. Passei em frente uma loja que possuia uma bandeira em cima do prédio, que por falta de vento, estava caída. Ou uma criança de aparentemente três anos olhava, de pé no parapeito com as mãos para trás, para os carros e o poste cuja iluminação oscilava. Não, era só uma bandeira avermelhada.

Achei improdutivo fazer mais uma crônica, tão recente que são as minhas últimas duas crônicas.

Pensei em escrever sobre as ironias da vida, mas né? Já estamos todos bem cientes delas…

Poderia escrever também sobre como A Menina dos Livros não anda mais tão só com os livros, e que isso até pode fazer parte das ironias da vida.

Pensei em não escrever…