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… são os que se referem a qualquer recuperação. Recuperar-se é um processo lento e contínuo, em específico quando o ser que se recupera não lembra da última vez em que teve certeza de que estava bem.

Ninguém é parabenizado por pôr-se de pé outra vez. Não existem pódios de chegada aos que voltam à estaca zero.

Recomeçar não é fácil, não é agradável e nem sempre é promissor. Recomeçar remete a reinterar uma tarefa que, de tão exaustiva, não foi concluída na última tentativa.

E sozinha tudo anda mais devagar.

Mas não é bom contar com outras pessoas. “Apegue-se apenas as metas, não às coisas ou às pessoas.” Talvez eu tenha dito para mim mesma.

“Insanity: doing the same thing over and over again and expecting different results.”
Albert Einstein

E quanto às pessoas?

Elas seguem e é melhor pra você que você siga também.

 

 

 

PS: Mas nada mais importa porque o Haddad não é mais ministro da Educação

 

E que venha o ENEM, o Sisu e outras maldições.

Coragem é…

Não tenho nenhuma coragem, mas procedo como se a tivesse, o que talvez venha dar ao mesmo.
(Gustave Flaubert)

 

 

 

Negativas

Não há fome, não há cansaço, não há dor.

Os dias são curtos e as noites são longas. Estas, em claro, quase sempre.

A tensão é palpável. A competitividade, óbvia.

O comer vira abastecer e o dormir, recarregar.

Tudo bem insalubre: Seja por fora, seja por dentro.

Os risos se tornam doentios e os silêncios, perturbadores.

Uma menção, uma cobrança da mais sutil pode ser “A Borboleta do Caos”

Nos ponteiros dos relógios, apenas movimentos circulares. As horas apenas passam.

There’s no hope.

 

 

 

Um adendo:

Se você é positivista, meus parabéns. Existem outras 54 publicações nas quais você pode exprimir sua visão otimista e de bem com a vida, mas nessa não. Ora, também não quero que você seja pessimista como essa publicação ou que tenha mais pensamentos assim. Por que eu escrevi? Para tirar de mim. Vai passar.

 

 

Outro adendo:

Resta alguma dúvida de que estou falando da proximidade do ENEM  vestibular?

 

“More than this

Whatever it is

Baby, I hate days like this” [2]

Aí eu desempreguei, empreguei, desempreguei, empreguei, empreguei e agora tô em um lugar legal, apesar de ser periodo integral e eu só ter tempo de estudar no meu almoço (que diga-se de passagem, dura duas horas). E tô fazendo um semi-extensivo aí (y).

 

Houve, em meados de 2007, um periodo no qual eu tinha uma rotina bem frenética, quase igual a de agora, e eu tava no ensino médio. Uma professora de português havia passado umas pesquisas e panz aí eu falei a máxima do vestibulando-proletariado (antes de ser vestibulanda e mesmo proletariada):

“-MEOW, NÃO DÁ TEMPO!”

 

 

Resposta?

 

“-Tempo? Mas… O que você faz da meia noite às 6h?

 

O que eu faço da meia noite às 6h?

 

Depois da insonia, de ajustar o alarme do celular e arrumar a mochila, eu durmo e sonho com o dia da minha matrícula no curso de Medicina da Famema.

 

Porque medicina é a pior e a melhor idéia-fixa que pode surgir na vida de um estudante secundarista (em suma quando as condições não são exatamente favoráveis). A melhor porque parece que vem de dentro, como missão, como meta, mais do que a porcaria de um capricho. Medicina é uma vocação que você sabe que tem e não precisa que te digam isso: está lá, te dizendo o que fazer, provando sua capacidade nos obstáculos superados. A pior pela quantidade inimaginável de futuros que ela exclui, dos cursos muito bons em lugares sensacionais que você faria se não tivesse nascido pra ser médico.  Mas você acredita em futuros ou destino?

Com que frequência?

Ele folheava um livro. Ela, com o fone de ouvido sem ouvir música alguma, mexia aleatoriamente no celular para que ele não dissesse que ela o observava, enquanto ele folheava o livro.

Se ela ouvisse música ao menos não estariam em silêncio.

– Me falaram que você não existe.

– Como assim?

– Falaram que você é, segundo Freud, invenção minha. Uma “projeção”, na verdade.

–  Hmm…

– …

* Fecha o celular e tira uma revista Galileu da bolsa. Folhea-a*

– E o que você acha?

– Eu acho que é mentira. Ou eu sou mesmo muito criativa.

Ciclos

Porque tudo nessa vida bandida é compreendido em ciclos: A infância é um ciclo, a escola é um ciclo, o trabalho, a faculdade, a família antes de você sair da casa dos seus pais, aquele curso de informática, a Lua e tudo mais. Ciclos.

Estar no meio de um ciclo envolve uma estabilidade: enquanto está exercendo seu papel, não precisa pensar no próximo ciclo a se envolver.

Estar fora de um ciclo significa necessariamente estar “solto” e alheio. Instável como um átomo de qualquer coisa que não é um “gás nobre” e não está em nenhuma ligação atômica.

Não, eu definitivamente não sou um gás nobre, não estou numa ligação covalente, iônica ou dativa.

Perdida no nevoeiro da minha própria nuvem eletrônica.

Aposto que esse blog era mais interessante quando eu falava das aventuras do cursinho, rs. Coisas pertencentes há um ciclo anterior…

P.S.: Alguém pode me explicar porque caralhos é tão difícil ter ânimo para estudar em casa depois do trabalho?

Outubro

“Outubro, por favor, faça tudo dar certo. Ou só menos errado. Só por um mês, faça tudo dar certo, depois veremos o que vamos fazer em novembro…”   Caio Fernando Abreu

Obviamente, estou tensa. Inflamações vestibulísticas a parte (outubrite, maionite, setembrite) tenho conseguido estudar alucinadamente. Minhas coisas estão uma bagunça e faz tempo que não sei o que é ficar sem ter o que fazer, mas estou bem.

Querem ver meu calendário? Só fiz até dezembro, mas serve:

Proíbo críticas quanto ao uso do Paint, ok?

Vcs viram algum final de semana livre ali em novembro?

Não? Puxa olha de novo.

Nada?

É, eu tb não ._.

Incrível eu escrever um post sobre outubro nas últimas semanas, né? Mas minha criatividade [?] anda meio baixa, e sinceramente, não sei como vcs aguentam me ler 😦  Juro que até eu me enjoô com essa chatisse toda, rs.

Cara, eu estudei. Estudei como nem sabia que podia estudar, e quero ver frutos. Se não for uma aprovação, ao menos resultados melhores que os do ano passado… Mas eu quero mesmo é a aprovação, hahaha

E manja aquela sensação de ‘cavalo de corrida’? Todo mundo apostando em vc, torcendo por vc, e dá um medo danado de não atender as expectativas… E eu só quero mesmo que tudo dê certo em outubro, que as coisas andem direitinho e em novembro eu vejo o que faço.

Muitos dos meus amigos já desistiram de tentar me recuperar da ilha do vestibular, aquela que eu citei há alguns pos’ts. Acredite, eu acho melhor assim. Mas até tenho saído algumas vezes, então não enlouqueci ainda não 🙂

Meu aniversário tá chegando e isso não é uma cobrança por presentes e algo me preocupa: vou fazer 19 anos. Ano que vem, meus colegas de Ensino Médio (fora aqueles que estão casando e tendo filhos, SHAUSHUAHSUAHSUAHUSAHUSA ou aqueles que não resolveram nada da vida) vão para o segundo ano de faculdade… Na verdade eu nem ligo, cada curso bocó na Unimar que esse povo tá fazendo, eu hein? rs

Bom, observando o calendário, notasse que a primeira prova é

O ENEM

Quem lembra no ano passado quando eu xinguei loucamente o Enem 2009?  So… I need tell a secret!

Nunca dei a mínima bola pro ENEM. No Segundo ano, quando prestei e vi que a prova era… babaca, criei uma imagem meio pejorativa do ENEM. Aí TODAS AS UNIVERSIDADES RESOLVERAM QUE O ENEM RULEIA. Eu que fiz a prova ‘nas coxas’ me ferrei (y). E esse ano, com a paulista usando como PRIMEIRA FASE e a Ufscar usando como fase única, o cinto aperta, né?

On the other hand…

Se a prova desse ano for a mesma BALBÚRDIA do ano passado, eu não vou resistir e vou fazer mais um post exclusivo de críticas não-construtivas hehehe

Aí depois do ENEM a coisa desbunda de uma vez, com todas as provas acontecendo na sequencia e lá, na primeira semana de dezembro está o amor da minha vida:  a FAMEMA!

Eu só queria um lugar confortável dentro daquela faculdade linda na qual fiz cursinho esse ano. Podia levar uma surra em todas as outras provas. Podia até ser aprovada pras segundas fases em janeiro QUE NEM IRIA PRESTAR! Mas eu queria ir pra lá…

É com esse clima de tensão, expectativas, desespero e chocolates com café que tenho vivido. No que isso dará?

Cenas dos próximos capítulos 😀

Eu quero mesmo é dizer, caro leitor, que estou feliz por compartilhar contigo essa coisa bagunçada que é meu humor. E que comentar no blog alheio não arranca pedaço, viu? hsuahsuahusahshauhsa E pedir desculpas pelos grandes tempos de ausência…  creio que tu desconfies o motivo!

So, that’s it!

Abraço aos imortais!

Wilsoooon…?

Gostaram do meu cabelo novo? SHUASHUAHSAHSA

E aí, tudo certo? Acharam que eu tinha morrido, né? Não, não morri. Ainda.

É agosto. Trocadilhos a parte com o mes do desgosto, as coisas andam bem tensas. Tenho estudado num ritmo alucinado e tenho tido alguns chiliques. Coisas de vestibulando.

No começo do ano, e até antes das férias, os intervalos entre as aulas eram curtos e… barulhentos! Muitas risadas, gente conversando e fazendo piadas, parecia que passava voando. No intervalo de ontem constatei: estamos todos MUITO tensos. Cara, tava tudo tão quieto! E já faz alguns dias que o intervalo parece interminável, mas o tempo não variou. É meu amigo, a tensão afeta a todos os envolvidos, mais cedo ou mais tarde.

Já deixei registrada a minha indignação por vestibulares cujas datas coincindem, né? Porra, Paraná, qualé teu problema com os paulistas, hein? Porra UEL, qualé teu problema com a UFPR, hein? Tá louca, fia? hunf!

E ao que me consta, a prova da Famema esse ano vai ser uma das últimas que vou prestar, assim como o ano passado (sem contar as segundas fases, isso é outro problema).

Se eu pudesse dar uma dica pra quem vai prestar vestibular no ano que vem e ainda não está tendo que estudar, essa dica seria: Quer ler alguma coisa legal? Qualquer coisa, desde Sherlock Holmes, Lygia F. Telles, Saramago até… Crepúsculo?! Meu, então LEIA, PORQUE ANO QUE VEM NÃO VAI DAR TEMPO, VOCÊ VAI TER 2019827317317 OBRAS MALDITAS PRÉ VESTIBULAR + 28317070301 GUIAS DO ESTUDANTE PESANDO NA SUA AGENDA. Fica a dica!

Quem leu meu último post deve ter saído daqui com cara de ” o_O WTF, ela nunca postou contos, será que um alien dominou a Carol?” Não, nenhum alien me dominou, mas eu sempre morri de vontade de postar um conto pra ver no que dava. Segredo: Tenho um caderno velho com vários textos do tipo contos ou crônicas, falta é coragem pra postar; e tempo pra escrever boas leituras. A tendência da falta de tempo é piorar.

Vocês devem (ou deveriam) ter notado que minha escrita tá bem aciclica, né? Tipo, tem várias coisas que gostaria de falar, mas quando vou escrevê-las… elas somem! Tô fazendo plantão de redação pra melhorar isso, shaushauhsauhsuahsua

Aconteceu muita coisa. Meu gato morreu 😦 Nossa, chorei horrores, era muito apegada a ele (ainda tem uma foto minha com o Chechel no fundo do meu celular), tinha ele há dois anos. Quem teve gato sabe, é complicado. Mas já passou. E fui doar sangue, pela primeira vez! Meu Deus, aquilo não é uma agulha, é uma tubulação, cacete! Brincadeira pessoas, não se intimidem com a agulha de diâmetro gigante, vale a pena. Se serve de consôlo, o lanchinho deles é legal 🙂

Mais uma das novidades é meu novo vício: Grey’s Anatomy! Pra quem não conhece, é uma série que se passa num hospital com residentes da cirurgia. Quando me falaram, eu pensei: Ai, mais uma daquelas séries mimimi pra pessoas viciadas em coisas sangrentas e que não aguentam mais assistir Jogos Mortais. Não, não é bem assim, guys!

Grey’s Anatomy é sim uma série pra estômagos corajosos, mas tem mais! Tem um enredo ótimo, uma trilha sonora super e diálogos bem bolados. Vou postar um trecho dentre os favoritos:

Ep.4: -“As vezes a realidade tem um jeito de se esgueirar e nos morder o calcanhar. E quando a represa explode, só nos resta nadar. O mundo do fingimento é uma gaiola, não um casulo; só conseguimos nos enganar por um tempo. Nós nos cansamos, nós temos medo, e negar não muda a verdade.  Mais cedo ou mais tarde temos que parar de negar e encarar o medo, com nossas armas em punho. A negação não é uma poça d’água: é um oceano enorme. Então, o que que a gente faz pra não se afogar?” (Meredith Grey)

Nhaim, é lindo, não é? Ai gente, é minha terapia, a forma como eu me divirto antes de estudar aquelas coisas horrendas de matemática.

Esse post ficou estranho, mas por hora é o que temos. Foi mal gente, tenho que estudar (e fazer as unhas, meu Deus, olha só pra isso!) Beijão, rs

Ilha

Guarujá, a pacata (mas não tão pacata assim) cidade onde nasceu essa que vos tecla, é conhecida também como Ilha do Sol (marilienses de plantão, acreditem em mim, chega a QUARENTA E TRÊS FUCKING GRAUS CELSIUS no verão). Não, apesar das saudades, não é essa a ilha do título.

É bem verdade também que digo que Marília tratasse de uma ilha de civilização (nem tão civilizada assim) cercada de sítios e fazendas por todos os lados. Mas também não é exatamente esse o tema do post.

A ilha que inspira o título na verdade é psicológica (tenho medo de usar essa palavra, coisas de gente leiga).  Trata-se de uma ilha de comodismo, sono, comida, preguiça,  estudos e coisas estranhas como rock ‘n’ roll 😛

Ah, droga, sempre que eu tento escrever um post sério acabo sei lá, informalizando-o. Enfim, é o que temos 🙂

Bom, o fato é que tenho me isolado, e quanto mais tento me isolar, mais os amigos vem me procurar: oferecer visitas, pedir visitas, me chamar pra sair e coisas do gênero. Não sei se vocês já desconfiavam disso, mas não sou do tipo popular ou festeira (vide tag é sábado e estou na frente do computador, haha) e apesar de gostar muito dos meus amigos e falar freneticamente quando estou com eles, gosto de ficar sozinha. Assim sendo, é bem raro quando me convencem a sair, a visitar ou mesmo a ser visitada. Sei que isso é de uma filhadaputagem sem proporções, afinal fica difícil manter amizades assim, e meu gênio já não é lá aquelas coisas. Nada disso me motiva a mudar, e os estudos também não colaboram.

Dificilmente você irá achar um vestibulando de Medicina sincero dizendo que acha que estuda mais que o suficiente. Isso porque essa quantia não existe! Tipo, você pode estudar até estourar, sempre (quando que é sempre? SEMPRE!) e ainda assim vai achar que é pouco. Não é diferente comigo. Meu humor anda um fiasco (oi, nenhuma TPM dura meses, tá?), tenho dormido muito, comido mais ainda e me exercitado nadinha. Tenho estudado relativamente mal, lido relativamente nada e me preocupado bastante. Feelings de uma montanha russa emocional, se querem saber.

Mas existe na minha ilha uma ponte. Algo que me ajuda na comunicação com o mundo lá fora, que me distrai e me informa de coisas importantes ou não. Meus queridos, o nome disso é Twitter!

Acredite, essa porcariazinha de 140 caracteres vicia insanamente.  Mais que orkut, msn e chocolate. Se quiserem me achar, estou por aquelas bandas pelo menos uma ou outra hora por dia. Lá eu reclamo, me informo, revejo alguns friends, conheço outros, reclamo mais um pouco e saio pra estudar. É legal 🙂

Bom, por hora é isso. Tenho feito alguns simulados, tomado alguns sustos (faculdades lindas marcando vestibular na mesma data, isso me estressa) e avaliado mil e duas possibilidades. Vai dar tudo certo. So I hope.

Abraço aos imortais!

Nuvens

Observações iniciais: Coloquei a ‘música tema’ do post depois do *Mais* (aquele link no finalzinho do post)  pra tirar ela da frente do blog, à pedidos de pessoas que, infelizmente, não tem o mesmo gosto musical que eu. Pronto, Bruna Motta, já tirei!

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Andando pelo centro da cidade às cinco da tarde. Muita fumaça, pessoas apressadas, carros, muitos carros. No céu, a contra-gosto da poluição visual e sonora que me envolvia, um céu extremamente azul, com nuvens de uma textura diferente de outros lugares que conheci.

Lembro de quando ainda tinha nos olhos o brilho dos doze anos e que viajava pra Marília no maior dos entusiasmos. Pra mim, as nuvens do litoral eram de uma textura aguada e me animava em deitar na grama perto da casa da minha tia e ver imagens naquela nuvens tão macias do interior.

Mas tem ainda uma coisa na cidade, as cinco da tarde, que por acaso me agrada.

O Sol.

Sim, aquele Sol tão antipático ao meio dia e tão ignorado às 7 da manhã. Às cinco da tarde, já cansado de iluminar essa humanidade ingrata, ele apenas pousa nas peles que caminham na rua, sem se importar mais se as aquecerá ou as incomodará. É nesse momento, quando um raio singelo salta de trás das nuvens macias e bate no meu rosto, que me sinto como uma planta criada no escuro, que resolveu esticar seus ramos pela fresta na janela e pensa no quão distante tem se posto do Sol.

Ainda caminhando pela rua, baixo os olhos do céu.  Virando da Avenida Nove de Julho para a Sampaio Vidal, vejo muitas cores. Infinitos tons de cinza, é verdade. Mas o cinza que vejo não está todo fora. Vem de dentro.

Não tenho mais nos olhos o brilho dos doze anos. Por mais que minha curiosidade se aguce e que meu semblante se adoce com um sorriso, as cores em mim se dissiparam.

Estou cinza.

“Sento no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.”

A Flor e a Náusea – Carlos Drummond de Andrade

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

Quase – Luís Fernando Veríssimo (na verdade, de Sarah Westphal Batista da Silva)

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