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Negativas

Não há fome, não há cansaço, não há dor.

Os dias são curtos e as noites são longas. Estas, em claro, quase sempre.

A tensão é palpável. A competitividade, óbvia.

O comer vira abastecer e o dormir, recarregar.

Tudo bem insalubre: Seja por fora, seja por dentro.

Os risos se tornam doentios e os silêncios, perturbadores.

Uma menção, uma cobrança da mais sutil pode ser “A Borboleta do Caos”

Nos ponteiros dos relógios, apenas movimentos circulares. As horas apenas passam.

There’s no hope.

 

 

 

Um adendo:

Se você é positivista, meus parabéns. Existem outras 54 publicações nas quais você pode exprimir sua visão otimista e de bem com a vida, mas nessa não. Ora, também não quero que você seja pessimista como essa publicação ou que tenha mais pensamentos assim. Por que eu escrevi? Para tirar de mim. Vai passar.

 

 

Outro adendo:

Resta alguma dúvida de que estou falando da proximidade do ENEM  vestibular?

 

“More than this

Whatever it is

Baby, I hate days like this” [2]

Aí eu desempreguei, empreguei, desempreguei, empreguei, empreguei e agora tô em um lugar legal, apesar de ser periodo integral e eu só ter tempo de estudar no meu almoço (que diga-se de passagem, dura duas horas). E tô fazendo um semi-extensivo aí (y).

 

Houve, em meados de 2007, um periodo no qual eu tinha uma rotina bem frenética, quase igual a de agora, e eu tava no ensino médio. Uma professora de português havia passado umas pesquisas e panz aí eu falei a máxima do vestibulando-proletariado (antes de ser vestibulanda e mesmo proletariada):

“-MEOW, NÃO DÁ TEMPO!”

 

 

Resposta?

 

“-Tempo? Mas… O que você faz da meia noite às 6h?

 

O que eu faço da meia noite às 6h?

 

Depois da insonia, de ajustar o alarme do celular e arrumar a mochila, eu durmo e sonho com o dia da minha matrícula no curso de Medicina da Famema.

 

Porque medicina é a pior e a melhor idéia-fixa que pode surgir na vida de um estudante secundarista (em suma quando as condições não são exatamente favoráveis). A melhor porque parece que vem de dentro, como missão, como meta, mais do que a porcaria de um capricho. Medicina é uma vocação que você sabe que tem e não precisa que te digam isso: está lá, te dizendo o que fazer, provando sua capacidade nos obstáculos superados. A pior pela quantidade inimaginável de futuros que ela exclui, dos cursos muito bons em lugares sensacionais que você faria se não tivesse nascido pra ser médico.  Mas você acredita em futuros ou destino?

Que seja dito

Que seja dito que não passei, nem na Famema, nem em nenhuma outra (poupo-os da listagem dos fracassos).

Que seja dito que não estou surpresa. Decepcionada sim. Triste, ainda mais. Mas não é fácil e nunca me enganaram quanto a isso.

Que seja dito que me esforcei. Talvez pudesse ter feito mais, mas nunca fiz tanto por nada. Nunca caminhei tanto…

Que seja dito que não sei ainda o que farei e como farei, mas que não desisti.

Sim, continua sendo Medicina. Ontem, hoje e amanhã.

E tenho dito.

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Saudações aos Vestibulandos de Medicina (os da comunidade do Orkut, os do cursinho, os do twitter) que me acompanharam durante o ano.

Saudações ao Rafa, amigo de crises e exercícios de química, de reflexões no ônibus ao voltar do cursinho (Industrial, kkkkk), de provas em lugares bizarros, de esperanças, projetos e demais loucuras que os sonhadores se dão ao capricho.

Saudações a você, caro leitor, que acompanhou cada uma das reflexões esdrúxulas de mais um ano.

Obviamente, tem mais zilhões de saudações que eu gostaria de colocar, mas não quero cometer o pecado de esquecer de alguém. Não se sintam esquecidos, por favor!

Por hora, é o que temos.

 

Abraço aos imortais.

Nuvens

Observações iniciais: Coloquei a ‘música tema’ do post depois do *Mais* (aquele link no finalzinho do post)  pra tirar ela da frente do blog, à pedidos de pessoas que, infelizmente, não tem o mesmo gosto musical que eu. Pronto, Bruna Motta, já tirei!

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Andando pelo centro da cidade às cinco da tarde. Muita fumaça, pessoas apressadas, carros, muitos carros. No céu, a contra-gosto da poluição visual e sonora que me envolvia, um céu extremamente azul, com nuvens de uma textura diferente de outros lugares que conheci.

Lembro de quando ainda tinha nos olhos o brilho dos doze anos e que viajava pra Marília no maior dos entusiasmos. Pra mim, as nuvens do litoral eram de uma textura aguada e me animava em deitar na grama perto da casa da minha tia e ver imagens naquela nuvens tão macias do interior.

Mas tem ainda uma coisa na cidade, as cinco da tarde, que por acaso me agrada.

O Sol.

Sim, aquele Sol tão antipático ao meio dia e tão ignorado às 7 da manhã. Às cinco da tarde, já cansado de iluminar essa humanidade ingrata, ele apenas pousa nas peles que caminham na rua, sem se importar mais se as aquecerá ou as incomodará. É nesse momento, quando um raio singelo salta de trás das nuvens macias e bate no meu rosto, que me sinto como uma planta criada no escuro, que resolveu esticar seus ramos pela fresta na janela e pensa no quão distante tem se posto do Sol.

Ainda caminhando pela rua, baixo os olhos do céu.  Virando da Avenida Nove de Julho para a Sampaio Vidal, vejo muitas cores. Infinitos tons de cinza, é verdade. Mas o cinza que vejo não está todo fora. Vem de dentro.

Não tenho mais nos olhos o brilho dos doze anos. Por mais que minha curiosidade se aguce e que meu semblante se adoce com um sorriso, as cores em mim se dissiparam.

Estou cinza.

“Sento no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.”

A Flor e a Náusea – Carlos Drummond de Andrade

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

Quase – Luís Fernando Veríssimo (na verdade, de Sarah Westphal Batista da Silva)

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Faaala, consciência!

Olá, querido leitor. Cá venho pra lhe informar alguns trechos, coisas e frases que me perseguem. Escrevo e satisfaço a consciência, que se torna a cada dia, uma senhora mais complacente. Autorizo a platéia a encará-los como preferirem e peço que se quiserem, pra me falar alguns trechos e frases que lhes atormentam a cabeça :D.

” -Mas, sem acreditar em mais de uma vida, como evitar o desespero? – protestou Igraine – Que deus justo criaria homens desgraçados, ao lado de outros felizes e prosperos, se todos tivessem apenas uma vida?

-Não sei – respondeu Merlim. – Talvez queiram que os homens se desesperem com a dureza do destino, para que procurem de joelhos o Cristo, que os levará ao Céu. Não sei no que acreditam os seguidores de Cristo, e o que esperam.”

(diálogo entre Igraine e Merlim – As Brumas de Avalon – Livro I)

” – […] O que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um jeito carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno voo e cai sem graça no chão.”

Clarice Lispector  (diva, né? ♥)

“Só eu posso pensar/ Se Deus existe/ Só eu/ Só eu posso chorar/ Quando estou triste/ Só eu

Marisa Monte, trecho da música “Cérebro eletrônico” (yeah, é a daquela novela estranha,  mas na novela não é a Marisa que canta)

” Se você acha que tem pouca sorte, se lhe preocupa a doença ou a morte. Se você sente receio do inferno, do fogo eterno de Deus, do mal…”

Trecho da música “Eu sou egoísta”, do Raul Seixas uhuul, toca Raul  belamente interpretada pela Pitty emo é a mãe, carai neste vídeo.

Uma observação: Eu fui criada ouvindo Raul Seixas, Secos e Molhados, Gilberto Gil e outras coisas (incluindo Irom Maidem e Kiss daddy querido) e achei a interpretação da Pitty melhor que a original 🙂 Gente, ouve as duas, é lindo *-*

Creio eu que estou entrando em uma crise religiosa. Faz algum tempo (quase dois anos) que me digo agnóstica, e com isso satisfaço minha comodidade de discordar de todas as religiões e minha consciência em não me ver como atéia. Fui criada como católica, batizada e bla bla bla,  não fiz 1ª comunhão por acaso e meus irmãos estão fazendo. As vezes vejo a expressão de decepção do meu pai, como se pra ele, eu interpretasse as coisas de forma errada. E tal vez seja, visto que não acredito na verdade absoluta. No que acredito? Não sei. Apenas duvído, de tudo que me dão espaço para duvidar, e por acaso duvido que o Ser Humano seja a melhor coisa existente (um dos motivos de não me considerar atéia).

E ler As Brumas de Avalon me dá vontade de ser druida, hahaha!

Ah, amanhã/hoje é a prova pro CAUM (Cursinho Alternativo da Unesp de Marília) e marquei entrevista pro DACA (o alternativo da Famema). Não tenho estudado, só lido e twitado all the life. 😀

Eeeeeeeee, estou very agradecida pelo horário de verão estar acabando, odeio Sol às sete da noite, okay?

Se, por um acaso imprevisto, eu achar mais trechos dignos pra esse post, aqui colocarei enquanto for cômodo não fazer outro 🙂

Bjos e comentem colocando seus melhores trechos/frases/letras de música/sambinhas enfim, o que quiserem e se quiserem ♥

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”.

Eduardo Galeano – Utopia.

Segundo o Aurélio (aquele que eu quis tacar fogo quando houve a reforma ortográfica), utopia é um “projeto irrealizável, quimera” (e com quimera, quis se indicar sonho, fantasia).

As vezes a gente ouve que um sonho nosso é utópico. Em mim essa palavra sempre gerou um desconforto, de algo que fazia total sentido pra mim e era absurdo pra outra pessoa. Ingenuidade a minha achar que nunca ninguém colocaria muros entre eu e meus objetivos. As vezes são muros imaginários. As vezes apenas metade dele é real, a outra é apenas para que você imagine o quão distante está seu sonho e desista dele.

É utopia achar que o melhor de mim é suficiente.

É utopia pensar que a natureza das pessoas é boa, e que elas sempre tem a melhor intenção nos seus atos.

É utopia querer fazer Medicina não porque é uma boa forma de ganhar dinheiro, mas porque o sofrimento alheio me incomoda de uma forma inexplicável.

Mas sem utopias, muitas coisas não evoluiriam. Sem utopia, a coisa não anda. E são elas, as utopias, que movem moinhos,  que me fazem não desistir daquele exercício de Física que parece impossível de compreender, até que eu paro. Lembro porque estou estudando. Penso no quanto já enfrentei pelo simples sonho de cursar Medicina. Penso no quanto me propus a enfrentar quando admiti para mim o que queria. Pego o livro e volto a tentar resolver aquela praga.

E se não houvesse utopia? E quando não há utopia?

De uma forma ou de outra, a utopia nos mantém em movimento. Nos faz acreditar em algo que pouquíssimas (ou mesmo nenhuma) pessoas acreditam. E as maiores descobertas do mundo não foram por acaso. Foram feitas por pessoas que foram desacreditadas pelas demais. Ninguém apostava um centavo que fosse no Darwin (alguém sabia que ele só se lascava na escola, que enquanto os “amiguinhos” estudavam, ele analisava o comportamento das formigas? not).

As vezes as pessoas não apostam na gente. O que não pode é a gente não apostar em nós mesmos. Fodam-se as outras pessoas.

Sem utopia, não há sonho. Sem sonho, acordaremos não para trabalhar ou estudar, mas para “fazer nossa parte”, e isso é coisa de gente frustrada. Quer saber? Nada me irrita mais do gente frustrada. São pessoas que não querem se dar bem: querem que VOCÊ se dê mal.

Ah, vai ser frustrado pra lá!

(sábado, 12 de setembro de 2009)

E eu estou definitivamente cansada! Não aquele ‘cansada’ que umas 10 horas dormindo resolve. Mas psicologicamente cansada! E até meio decepcionada, sabe? Estou com o livro “O Cortiço” dentro da bolsa a quase uma semana e não consegui começar a ler. Sem tirar trabalhos da escola, matérias do cursinho… Falta tempo, disposição, concentração e o sono REM, que acontece após aproximadamente 6h de sono e que “re-memoriza” tudo o que se aprendeu no dia, além de revitalizar a pessoa… O que eu faço nas horas livres? Serve aquelas que eu durmo? Nem são tantas, minhas olheiras não negam. (Nem o bule de café, diga-se de passagem).
Queria ser que nem o Unibanco, 30 horas! Mas tá difícil… E pergunta se eu li o “Capitães da Areia” que tinha dito? Não, não pergunta!
Até tava brisando na escola, dizendo que queria passar as férias na Indonésia! Lá pelo que sei é quente, e ninguém me conhece e não conheço ninguém, fujo de tudo…
Tudo… menos de mim mesma! Talvez eu realmente seja meu pior problema, por não ter solução!
E segue uma música que tenho ouvido muito e me achado nela:

Sobra tanta falta – Teatro Mágico

Falta tanta coisa na minha janela como uma praia

Falta tanta coisa na memória como o rosto dela

Falta tanto tempo no relógio quanto uma semana

Sobra tanta falta de paciência que me desespero

Sobram tantas meias verdades que guardo pra mim mesmo

Sobram tantos medos que nem me protejo mais

Sobra tanto espaço dentro do abraço

Falta tanta coisa pra dizer que nunca consigo

Sei lá se o que me deu foi dado

Sei lá se o que me deu já é meu

Sei lá se o que me deu foi dado ou se é seu

Vai saber se o que me deu quem sabe

Vai saber quem souber me salve

Vai saber o que me deu quem sabe

Vai saber quem souber me salve

vídeo do youtube

Gente, Teatro Mágico é master! É o tipo de música legal e cult, gosto por demais. Músicas, depois dos livros, são minha segunda paixão, e que por acaso também tenho abandonado por falta de tempo…
Enfim, ninguém me falou que seria fácil ser médica, nem por isso desisti. Eu prossigo com meu sonho e vocês prosseguem aguentando os post’s gigantes, haha. x-) Falando em sonho, vou dormir gente bonita! Amanhã (hoje) é domingo e só acordo depois das 10h!

Buenas noches, muchachos