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Talvez chova.

Domingo primaveril, chove timidamente em Marília. Agora são quase duas da tarde.

Fez calor e depois fez frio. E ainda duvidam que a temperatura influi no temperamento humano. Acordei e fiz cooper com meu pai enquanto estava Sol. Agora que chove não quero nem mesmo me levantar para colocar um casaco e me proteger do vento que entra por baixo da porta.

Talvez eu não goste tanto assim da chuva.

Talvez eu não goste tanto assim do dia de hoje, que comemora (ou lamenta) um sábado igualmente chuvoso e igualmente confuso há 365 dias atrás.

Talvez eu não saiba do que goste e eu não seja decidida, apenas teimosa. E talvez eu tenha um orgulho bem “incabível”.

Talvez sim, talvez não. Talvez talvez.

Só sei que nadar sei, rs.

E o Enem taí, a Unesp taí, a Famema (aquela maledeta que fará prova no meio de novembro) taí. E eu tenho 3872389113 mols de exercícios e muito tempo disponível ~agora~ para fazê-los. Mas sei lá…

“More than this

Whatever it is

Baby, I hate days like this”

Nuvens

Observações iniciais: Coloquei a ‘música tema’ do post depois do *Mais* (aquele link no finalzinho do post)  pra tirar ela da frente do blog, à pedidos de pessoas que, infelizmente, não tem o mesmo gosto musical que eu. Pronto, Bruna Motta, já tirei!

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Andando pelo centro da cidade às cinco da tarde. Muita fumaça, pessoas apressadas, carros, muitos carros. No céu, a contra-gosto da poluição visual e sonora que me envolvia, um céu extremamente azul, com nuvens de uma textura diferente de outros lugares que conheci.

Lembro de quando ainda tinha nos olhos o brilho dos doze anos e que viajava pra Marília no maior dos entusiasmos. Pra mim, as nuvens do litoral eram de uma textura aguada e me animava em deitar na grama perto da casa da minha tia e ver imagens naquela nuvens tão macias do interior.

Mas tem ainda uma coisa na cidade, as cinco da tarde, que por acaso me agrada.

O Sol.

Sim, aquele Sol tão antipático ao meio dia e tão ignorado às 7 da manhã. Às cinco da tarde, já cansado de iluminar essa humanidade ingrata, ele apenas pousa nas peles que caminham na rua, sem se importar mais se as aquecerá ou as incomodará. É nesse momento, quando um raio singelo salta de trás das nuvens macias e bate no meu rosto, que me sinto como uma planta criada no escuro, que resolveu esticar seus ramos pela fresta na janela e pensa no quão distante tem se posto do Sol.

Ainda caminhando pela rua, baixo os olhos do céu.  Virando da Avenida Nove de Julho para a Sampaio Vidal, vejo muitas cores. Infinitos tons de cinza, é verdade. Mas o cinza que vejo não está todo fora. Vem de dentro.

Não tenho mais nos olhos o brilho dos doze anos. Por mais que minha curiosidade se aguce e que meu semblante se adoce com um sorriso, as cores em mim se dissiparam.

Estou cinza.

“Sento no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.”

A Flor e a Náusea – Carlos Drummond de Andrade

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

Quase – Luís Fernando Veríssimo (na verdade, de Sarah Westphal Batista da Silva)

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