Tag Archive: Oh Heavens


…espera por dias melhores. Dá “Bom Dia” ao motorista do ônibus, ao vigia, à moça do café, às amigas (amigas?) que tomam café todos os dias, antes do trabalho. Enquanto trabalha, distribui dezenas de bons dias, boas tardes. A noite, cansada, deseja boa noite.

E as vezes o Bom Dia segue-se de um “tudo bom?” que invade o espaço. Eu te desejei um bom dia, porque cargas d’água eu tenho que dizer pra você se ele realmente está bom ou não?

Talvez não esteja, mas eu não quero ver. Eu vou maquiar as olheiras, pintar os lábios pálidos, passar saúde artificial nas maçãs do rosto e vou sorrir. Porque ele TEM que ser bom. O dia. Independentemente se estava ou não predestinado pela constelação de Orion ou pelo clima. Ou pelo jogo do domingo. Ou pelo pé do sofá que insiste em se pôr no meu caminho. Ou pelo alarme que tocou e eu desliguei. Ou por qualquer, repito, qualquer outra coisa. Vai ser um bom dia, está sendo um bom dia, foi um bom dia.

Tá, eu queria ter alguém pra conversar sobre isso. Não que eu queira conversar. Eu não quero. Ou quero? Humanos, tão indecisos.

Mas enquanto não resolvo, apenas vou dando um passo, outro, outro, mais outro. Sem olhar muito a paisagem, é pouco o tempo disponível. Não sei quão pouco, mas é pouco.

Se bem que silêncio também acomoda. Começa por graça, sempre precisou falar de tudo com todos e sempre encontrou quem se aproveitasse disso. Encontrou também gente que ouvia, dava conselhos que não eram seguidos e consolava, quando tudo dava obviamente errado. Mas silencia-se. Perdeu o charme e o brilho de responder a pergunta depois do “Tudo Bom?”, que veio depois do “Bom Dia”: “E aí? E as novidades?”.

Nada, tá tudo normal.

É aí que mora o perigo…

E hoje ainda é segunda-feira.

 

Dos dias agitados, de manhãs longas, tardes rápidas e noites exaustivas, o que mais incomoda são as inquietações, as brigas, uma vontade imensa de ter dias tranquilos e a certeza de que não haverão.

E eu me vejo envolta de uma afirmação feita há alguns meses quando a insonia estava aí, para tirar a paz:

-” […] eu venderia minha alma para quem quer que fosse por uma fonte inesgotável de perfeição.

(ou por uma noite de sono sem sonhos ou pesadelos)”

Ou por dias que saciassem a consciência, sei lá.

“More than this

Whatever it is

Baby, I hate days like this” [3]

 

… são os que se referem a qualquer recuperação. Recuperar-se é um processo lento e contínuo, em específico quando o ser que se recupera não lembra da última vez em que teve certeza de que estava bem.

Ninguém é parabenizado por pôr-se de pé outra vez. Não existem pódios de chegada aos que voltam à estaca zero.

Recomeçar não é fácil, não é agradável e nem sempre é promissor. Recomeçar remete a reinterar uma tarefa que, de tão exaustiva, não foi concluída na última tentativa.

E sozinha tudo anda mais devagar.

Mas não é bom contar com outras pessoas. “Apegue-se apenas as metas, não às coisas ou às pessoas.” Talvez eu tenha dito para mim mesma.

“Insanity: doing the same thing over and over again and expecting different results.”
Albert Einstein

E quanto às pessoas?

Elas seguem e é melhor pra você que você siga também.

 

 

 

PS: Mas nada mais importa porque o Haddad não é mais ministro da Educação

 

E que venha o ENEM, o Sisu e outras maldições.

Já ouvi muito não. Muito “não dessa vez, tente mais”. Muito “você não conseguirá”.

E depois de ouvir muitos, muitos “não’s”, vieram SIM’s de onde não se esperava.

Mesmo tendo ouvido muito não nessa vida, dizê-los dói.

“Mas não é medicina.”

“Porque a vida é muito curta para se fazer o que não se quer, para satisfazer as outras pessoas.”

 

Obs: Apaguei a nota no paint sim, por que? hahahahaha Brimks, é pra evitar mal-olhado (tipo meu pai olhando feio porque achou que a nota era maior)

…the only end.

Acabou, pessoas cretinas. O ano mais confuso, mais difuso and more de todos. Que 2011 nos dê sossego nessas últimas 6h54min de existência.

Já vai tarde, rs.

Faz, na noite mariliense, um calor tremendo. Enquanto isso, eu, de férias criadas do cursinho, resolvi arrumar umas coisas.

Já faz um tempo desde que li o post da Bruna Latrônico sobre os álbuns de fotografia.

E eu descobri que jogo fora as coisas antigas que estão em meu poder para não me encher de lembranças. Cartões, cartas, letras de músicas, “coisas velhas”.

É meio que um desapego forçado.

E aí eu vi que estava com duas ou três fotos de infância em meu quarto e fui guardá-las em seus devidos álbuns, no quarto da minha vó.

E eu não resisto às fotos. Fucei todos os álbuns.

“Nossa, eu era gordinha. Essa senhora não era louca. Ele era vivo…”.

E sentada na cama da minha avó, rodeada por álbuns, relembro o que a Bruna disse no post: Nossos filhos não encontrarão fotos no fundo de uma gaveta no quarto e nem sentirão aquele misto de pudor e saudades olhando fotos que não foram “posadas” nem “ensaiadas”. Fotos com parte do dedo do fotógrafo aparecendo e com o Sol fazendo reflexo.

Eles, que ainda nem existem, mal poderão imaginar o que estarão perdendo.

 

Essa fica na penteadeira da minha vó. Eu tinha uns 6 anos...

 

Eu e meu avô. Uns 4 anos...

 

Creio eu que não produzimos mais boas lembranças.

 

 

Negativas

Não há fome, não há cansaço, não há dor.

Os dias são curtos e as noites são longas. Estas, em claro, quase sempre.

A tensão é palpável. A competitividade, óbvia.

O comer vira abastecer e o dormir, recarregar.

Tudo bem insalubre: Seja por fora, seja por dentro.

Os risos se tornam doentios e os silêncios, perturbadores.

Uma menção, uma cobrança da mais sutil pode ser “A Borboleta do Caos”

Nos ponteiros dos relógios, apenas movimentos circulares. As horas apenas passam.

There’s no hope.

 

 

 

Um adendo:

Se você é positivista, meus parabéns. Existem outras 54 publicações nas quais você pode exprimir sua visão otimista e de bem com a vida, mas nessa não. Ora, também não quero que você seja pessimista como essa publicação ou que tenha mais pensamentos assim. Por que eu escrevi? Para tirar de mim. Vai passar.

 

 

Outro adendo:

Resta alguma dúvida de que estou falando da proximidade do ENEM  vestibular?

 

“More than this

Whatever it is

Baby, I hate days like this” [2]

I believe in God. Maybe not the Catholic God or even the Christian one because i have hard time seeing any God as elitist. I also have a hard time believing that anything that created rain forests and oceans and an infinite universe world, in the same process, create something as unnatural as humanity in its own image. I believe in God, but not as a he or a she or an it, but as something that defies my ability to conceptualize within the rather paltry frames of reference i have on hand.

A drink before the war, Dennis Lehane

 

Retirado do tumblr da Nath Panési

-> http://insustentaveis.tumblr.com/post/7108285939/i-believe-in-god-maybe-not-the-catholic-god-or

 

 

Para você que como eu tem preguiça do inglês:

Eu acredito em Deus. Talvez não o Deus católico ou mesmo a um cristão, porque eu tenho dificuldade em ver qualquer Deus como elitista. Eu também tenho dificuldade em acreditar que qualquer coisa que criou as florestas tropicais e os oceanos e um universo infinito, no mesmo processo, criar algo tão natural como a humanidade à sua própria imagem. Eu acredito em Deus, mas não como ele ou ela ou um, mas como algo que desafia minha capacidade de conceituar dentro dos quadros bastante mesquinhos de referência que eu tenho na mão.
Uma bebida antes da guerra, Dennis Lehane

 

Obs.: Sim, isso explica muita coisa. That’s all, folks.

Com que frequência?

Ele folheava um livro. Ela, com o fone de ouvido sem ouvir música alguma, mexia aleatoriamente no celular para que ele não dissesse que ela o observava, enquanto ele folheava o livro.

Se ela ouvisse música ao menos não estariam em silêncio.

– Me falaram que você não existe.

– Como assim?

– Falaram que você é, segundo Freud, invenção minha. Uma “projeção”, na verdade.

–  Hmm…

– …

* Fecha o celular e tira uma revista Galileu da bolsa. Folhea-a*

– E o que você acha?

– Eu acho que é mentira. Ou eu sou mesmo muito criativa.

 

And me too...