Tag Archive: pressão psicológica


Be ok

Não seria incrível planejar com a certeza de que tudo sairá como o esperado? Ou só eu fico muito brava (eufemismo para manter o nível da narrativa) com aquela tia que fala “aah, mas Medicina é um sonho e sonhos mudam”?
Eu sou bem metódica com algumas coisas. Passo muitas horas do meu dia planejando o que posso fazer pra tudo dar certo, até tenho epifanias durante meus planos.

Mas não dá pra controlar tudo. Por mais que eu sempre tente!

Trabalhando, eu fiz algumas descobertas sobre o mundo cinza da mais-valia e do proletariado:

As pessoas são máquinas de pedir desculpas.

Eu lembro que vi essa frase em algum lugar do twitter antes de começar a trabalhar. Fez mais sentido depois que comecei, sabe? E quando não há mais nada a fazer, a não ser pedir desculpas? Me desculpe, mas às vezes isso é o mesmo que nada.

Trabalhar é a arte de tolerar trollagens sem gritar palavrões.

auto-explicativo

Marx estava certo!

A mais-valia existe e eu estou sentindo ela na pele. Literalmente o.O

– 24 horas é muito pouco!

Mas isso eu já havia descoberto no cursinho

Eu queria saber que estou tão OK quanto eu digo pro mundo que estou. Ter certeza de que tudo ficará bem e que estou fazendo as coisas da melhor forma que a situação permite. E, se o ano passar tão rápido quanto o mês de janeiro, já já eu tô fazendo cursinho no Poliedro hahahaha.

O título do post foi inspirado nessa música da Ingrid Michaelson. É a música que mais tenho cantarolado pelos corredores do trabalho.

É, eu aposto que alguns de vocês estão bem curiosos pra saber onde estou trabalhando. Eu diria, mas aí alguém digitaria o nome no google, encontraria meu blog e provavelmente seria despedida antes de acabar a experiência. Só posso afirmar que não é uma firma da minha família, que não é um trabalho lindo de escritório e que… ai tá, eu posso falar que é em uma sorveteria. Pronto, não digo mais nada! Não, não insistam, seus feios! Posso dizer ainda que a gente não ganha tanto sorvete assim por ser funcionário 😦 kkkk gorda!

Se vou continuar lá, só o tempo dirá. E o tempo, esse danadinho, dirá muito mais! So I hope.

Abraço aos imortais

P.S.: Lindezas, porque vocês só comentam quando eu ameaço cometer blogcídio? Ai ai ai, deixem “A menina dos livros” mais feliz, comentem! Mas eu adoro vocês assim mesmo ♥

P.S. 2: Fui a biblioteca municipal dia desses. ~sintam a nostalgia~ Voltei a ler Sherlock Holmes! Não lia desde o 2º colegial, simplesmente porque tava sempre pelas tampas de obras obrigatórias. E peguei um de contos com o Caio Fernando Abreu, mas não sei se vai dar tempo de ler 😦

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Nuvens

Observações iniciais: Coloquei a ‘música tema’ do post depois do *Mais* (aquele link no finalzinho do post)  pra tirar ela da frente do blog, à pedidos de pessoas que, infelizmente, não tem o mesmo gosto musical que eu. Pronto, Bruna Motta, já tirei!

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Andando pelo centro da cidade às cinco da tarde. Muita fumaça, pessoas apressadas, carros, muitos carros. No céu, a contra-gosto da poluição visual e sonora que me envolvia, um céu extremamente azul, com nuvens de uma textura diferente de outros lugares que conheci.

Lembro de quando ainda tinha nos olhos o brilho dos doze anos e que viajava pra Marília no maior dos entusiasmos. Pra mim, as nuvens do litoral eram de uma textura aguada e me animava em deitar na grama perto da casa da minha tia e ver imagens naquela nuvens tão macias do interior.

Mas tem ainda uma coisa na cidade, as cinco da tarde, que por acaso me agrada.

O Sol.

Sim, aquele Sol tão antipático ao meio dia e tão ignorado às 7 da manhã. Às cinco da tarde, já cansado de iluminar essa humanidade ingrata, ele apenas pousa nas peles que caminham na rua, sem se importar mais se as aquecerá ou as incomodará. É nesse momento, quando um raio singelo salta de trás das nuvens macias e bate no meu rosto, que me sinto como uma planta criada no escuro, que resolveu esticar seus ramos pela fresta na janela e pensa no quão distante tem se posto do Sol.

Ainda caminhando pela rua, baixo os olhos do céu.  Virando da Avenida Nove de Julho para a Sampaio Vidal, vejo muitas cores. Infinitos tons de cinza, é verdade. Mas o cinza que vejo não está todo fora. Vem de dentro.

Não tenho mais nos olhos o brilho dos doze anos. Por mais que minha curiosidade se aguce e que meu semblante se adoce com um sorriso, as cores em mim se dissiparam.

Estou cinza.

“Sento no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.”

A Flor e a Náusea – Carlos Drummond de Andrade

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

Quase – Luís Fernando Veríssimo (na verdade, de Sarah Westphal Batista da Silva)

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“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”.

Eduardo Galeano – Utopia.

Segundo o Aurélio (aquele que eu quis tacar fogo quando houve a reforma ortográfica), utopia é um “projeto irrealizável, quimera” (e com quimera, quis se indicar sonho, fantasia).

As vezes a gente ouve que um sonho nosso é utópico. Em mim essa palavra sempre gerou um desconforto, de algo que fazia total sentido pra mim e era absurdo pra outra pessoa. Ingenuidade a minha achar que nunca ninguém colocaria muros entre eu e meus objetivos. As vezes são muros imaginários. As vezes apenas metade dele é real, a outra é apenas para que você imagine o quão distante está seu sonho e desista dele.

É utopia achar que o melhor de mim é suficiente.

É utopia pensar que a natureza das pessoas é boa, e que elas sempre tem a melhor intenção nos seus atos.

É utopia querer fazer Medicina não porque é uma boa forma de ganhar dinheiro, mas porque o sofrimento alheio me incomoda de uma forma inexplicável.

Mas sem utopias, muitas coisas não evoluiriam. Sem utopia, a coisa não anda. E são elas, as utopias, que movem moinhos,  que me fazem não desistir daquele exercício de Física que parece impossível de compreender, até que eu paro. Lembro porque estou estudando. Penso no quanto já enfrentei pelo simples sonho de cursar Medicina. Penso no quanto me propus a enfrentar quando admiti para mim o que queria. Pego o livro e volto a tentar resolver aquela praga.

E se não houvesse utopia? E quando não há utopia?

De uma forma ou de outra, a utopia nos mantém em movimento. Nos faz acreditar em algo que pouquíssimas (ou mesmo nenhuma) pessoas acreditam. E as maiores descobertas do mundo não foram por acaso. Foram feitas por pessoas que foram desacreditadas pelas demais. Ninguém apostava um centavo que fosse no Darwin (alguém sabia que ele só se lascava na escola, que enquanto os “amiguinhos” estudavam, ele analisava o comportamento das formigas? not).

As vezes as pessoas não apostam na gente. O que não pode é a gente não apostar em nós mesmos. Fodam-se as outras pessoas.

Sem utopia, não há sonho. Sem sonho, acordaremos não para trabalhar ou estudar, mas para “fazer nossa parte”, e isso é coisa de gente frustrada. Quer saber? Nada me irrita mais do gente frustrada. São pessoas que não querem se dar bem: querem que VOCÊ se dê mal.

Ah, vai ser frustrado pra lá!

(segunda-feira, 2 de novembro de 2009)

Os vestibulares estão absurdamente perto. É nessa época do ano que as pessoas começam a ficar estranhas, mal humoradas e com olheiras monstruosas, a sorrir pouco e fazer piadinhas de humor obscuro. Sinistro, não?
Dei uma grande sumida nesse mês de outubro. Também pudera, parece que as coisas esperam os ano inteiro para acontecerem só nessa época! Enem deu mancada, Unicamp deu banana pro Enem e os vestibulandos ameaçaram suicídio coletivo. E eu, como estudante organizadíssima que devia ser, deixei pra demarcar meu calendário a poucos dias e o que verifico?

Bem, de 5 domingos no mês de novembro eu tenho vestibular em 3. Nada mal para meu primeiro ano, não?
Bom, quem precisa de vida quando o vestibular tá aí, não é mesmo? ._.
Fiquei fez pela prova da Famema ser a última, assim já vou ter a experiência das duas anteriores (visto que, como comentei em outro post, a Famema é minha favorita, e menos concorrida).
Todos me dizem pra ser otimista, mas nem por isso preciso ser utópica. E por isso me pego pensando: – E se eu não passar esse ano? Ora bolas, eu estudei a vida toda em escolas públicas e estou fazendo (junto com o 3º do Ensino Médio) um cursinho alternativo, por mais que me esforce devo ser realista.
Mas enfim, o que farei se não passar? Vou me matar. Mas não de forma rápida, prática e pouco dolorosa. Vou me matar devagarinho, trabalhando em algum serviço escravo pra pagar um cursinho noturno.
Parece loucura, né? Trata-se da forma que encontrei de matar dois coelhos com uma machadada só: trabalho e satisfaço exigências de famíliares e agregados (aquelas pessoas que não tem nada a ver com o peixe, mas que amam opinar), e faço um cursinho reforçado, já que definitivamente, cursinhos alternativos não são a melhor opção (apesar de terem me quebrado um galho esse ano).

Meu aniversário é dia 10 deste mês (faço 18 anos) e tenho por hábito avaliar minhas mudanças nas proximidades dessa data. Esse ano dei um passo enorme rumo ao meu sonho, tanto psicologicamente quanto aos estudos. Amadureci, vi que as melhores conquistas são, por ironia, as mais difíceis, e que os dias passam ainda mais rápido quando são bem aproveitados. Aprendi que boas amizades não se perdem por falta de tempo, ou mesmo pela distância, e que aquelas pessoas que você vê todos os dias farão falta quando seus dias mudarem. Eu mudo, os dias mudam, as pessoas mudam e isso é bom.