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Que tudo mais…

…vá pro inferno, eu só queria férias de tudo e todos, e eu só não iria pra uma ilha deserta porque odeio o calor e não saberia como cozinhar frutos do mar e enjoaria de peixe assado.

Que se danem os sonhos e os pesadelos, que se danem as dívidas, que se danem os cartões de crédito que eu não pedi para ninguém, que se danem os exercícios e as redações atrasadas.

Ignorarei a ética, a astrofísica e o aquecimento global.

Não quero lembrar das saudades, dos risos, dos choros. Eu não quero lembrar de nada.

Eu não quero ouvir.

Eu não quero falar.

(Mas entenda que eu não sei ficar sozinha, que eu realmente precisava de um ou vários abraços e ficar quietinha, sem imaginar o que aconteceria comigo se eu conseguisse tudo o que eu desejo naqueles minutos de ódio e decepção. Eu estou decepcionada com a incapacidade de produzir dias melhores, risadas naturais e a falta de tardes chuvosas).

“O inferno são os outros.”

Sartre.

Faz, na noite mariliense, um calor tremendo. Enquanto isso, eu, de férias criadas do cursinho, resolvi arrumar umas coisas.

Já faz um tempo desde que li o post da Bruna Latrônico sobre os álbuns de fotografia.

E eu descobri que jogo fora as coisas antigas que estão em meu poder para não me encher de lembranças. Cartões, cartas, letras de músicas, “coisas velhas”.

É meio que um desapego forçado.

E aí eu vi que estava com duas ou três fotos de infância em meu quarto e fui guardá-las em seus devidos álbuns, no quarto da minha vó.

E eu não resisto às fotos. Fucei todos os álbuns.

“Nossa, eu era gordinha. Essa senhora não era louca. Ele era vivo…”.

E sentada na cama da minha avó, rodeada por álbuns, relembro o que a Bruna disse no post: Nossos filhos não encontrarão fotos no fundo de uma gaveta no quarto e nem sentirão aquele misto de pudor e saudades olhando fotos que não foram “posadas” nem “ensaiadas”. Fotos com parte do dedo do fotógrafo aparecendo e com o Sol fazendo reflexo.

Eles, que ainda nem existem, mal poderão imaginar o que estarão perdendo.

 

Essa fica na penteadeira da minha vó. Eu tinha uns 6 anos...

 

Eu e meu avô. Uns 4 anos...

 

Creio eu que não produzimos mais boas lembranças.